Terça-feira, 9 de Dezembro de 2008

Esta parece ser uma história de ignorância e não de maldade. S.W., 43 anos, e sua mulher A.D., 35 anos, são pais de quatro filhas de 14, 13, 9 e 8 anos. Todas elas nasceram na Espanha e não conhecem a terra de seus ancestrais. O casal chegou à Catalunha em 1998 e dirige uma pequena loja. Em dezembro de 2007 a filha mais velha seria levada à terra de seus avós, Gâmbia, para que seu clitóris fosse amputado. Um tribunal de Arenys de Mar, na Espanha, foi informado da viagem e do seu objetivo pelos serviços sociais da prefeitura de Pineda de Mar.

Um juiz decidiu impedir que ela fosse realizada confiscando o passaporte da menina. Policiais foram à casa da família e exigiram que o documento lhes fosse entregue, por ordem do juiz. meninas africanas Os pais não ocultaram o motivo da viagem, e estavam felizes porque os avós paternos da menina enfim poderiam conhecer uma das netas. A patrulha policial explicou que executar a mutilação do clitóris era tanto ilegal quanto perigoso, porque esse tipo de prática muitas vezes acarreta graves infecções, na África. O casal não pareceu muito atento aos conselhos que lhes estavam sendo dados, afinal, todas as meninas da cidade, em Gâmbia, passaram por essa mutilação, e a mãe confessou ter sido uma delas. Para a polícia não teve outro jeito além de encaminhar o assunto à Justiça.

Depois de receber o relatório policial foi movida uma ação judicial. O juiz se convenceu de que era melhor evitar a viagem porque a mutilação do clitóris não poderia ser admitida sob o direito penal espanhol. O pai ficou muito contrariado com a situação. Ainda assim, decidiu averiguar a situação por sua conta, e o líder religioso muçulmano local o informou de que o ‘Corão’ não recomenda a prática. O pai também falou com pessoas de seu país, que o informaram de que também lá a Justiça tenta reprimir a prática. Só assim declarou ter compreendido a situação.
(fonte: La Vanguardia)

Mutilação Genital Feminina

Entre 100 e 140 milhões de mulheres no mundo todo foram vítimas de mutilação sexual ou excisões, que trazem graves conseqüências para a saúde física e psicológica das mulheres. Cerca de três milhões de meninas sofrem anualmente a mutilação do clitóris ou de outros órgãos sexuais. As mutilações são praticadas essencialmente na África subsaariana e em algumas regiões do Oriente Médio e o sudeste asiático (Iêmen, Indonésia e Malásia). Além disso, o costume é também praticado pelos cristãos coptas do Egito, pelos cristãos e judeus falasha ou Beta Israel da Etiópia, pelos cristãos do Sudão e por várias tribos animistas. A mutilação é tida pelos homens sudaneses, e dos demais países que a adotam, como prova de honra da futura esposa e condição exigida para o casamento.

Freqüentemente apresentada como conseqüência de imposições religiosas, notadamente do Islã esta prática nasceu bem antes da chegada na África das religiões monoteístas e nenhum texto religioso a justifica. As origens da mutilação são desconhecidas. Sabe-se apenas que antecede o surgimento do judaísmo, cristianismo e islamismo e não tem relação com os fundamentos de nenhum deles. É uma prática milenar. O que era chamado de circuncisão faraônica perpetuou-se depois e foi seguida por muçulmanos, cristãos e judeus.

O prato perverso que as meninas são obrigadas a engolir em 28 países, incluindo Ásia e Oriente Médio, tem três modalidades. No Sudão, pratica-se a mais cruel, a infibulação. mutilação genital femininaÉ uma soma das outras duas (clitoridectomia e excisão, que consistem na extirpação do clitóris e retirada dos lábios vaginais) e se completa com a sutura externa da vulva. A infibulação é feita na intimidade das famílias e comunidades, que mantêm o ritual secretamente, sem anestésicos ou instrumentos cirúrgicos, por pessoa da família ou da comunidade, parteira ou profissional de saúde contratada.

É tida como uma celebração, a exemplo da circuncisão masculina. Mas em sofrimentos, não se compara ao rito de passagem dos rapazes para a vida adulta. As meninas, muitas com quatro anos de idade, são cortadas a navalha, tesouras ou mesmo cacos de vidro, antes de serem costuradas. Algumas não sobrevivem à hemorragia, gangrena ou infecções na área pélvica. Outras sofrerão o resto de suas vidas com dores menstruais, infecções urinárias, impedimentos para uma vida sexual saudável e novas violências no casamento e nos partos.

O primeiro país europeu a lidar com o tema da mutilação genital, ainda em 1979, foi a França. A cirurgia reparadora, praticada em uma dezena de hospitais e clínicas, possibilita que as lesões sejam revertidas. Foi preciso esperar até 2003 para que os países membros da União Africana assinassem um protocolo que proibia as mutilações sexuais. O Unicef anunciou que intensificará os esforços para reduzir pela metade até 2015 a mutilação feminina em 16 países africanos. Romper o silêncio tem sido um alento para as mulheres africanas. (fonte: Unicef e ONU)



publicado por star às 06:46 | link do post | comentar

4 comentários:
De Águeda Macias a 9 de Dezembro de 2008 às 13:46
Não dá pra acreditar que em pleno século XXI isso acontece... O difícil de lidar com isso são as questões éticas. Será que a gente tem mesmo o direito de "invadir" outros países com a nossa cultura? Será que estamos mesmo fazendo o certo para as mulheres que estão lá? Já li alguns relatos que para mim são mais assustadores do que a mutilação feminina: mulheres africanas que, não tendo passado por esse ritual, se sentiam impuras e viravam párias.

Claro que eu acho um absurdo e por mim proibiria essa prática. Porém dá nó na cabeça pensar que tem tanta coisa a mais envolvida nisso do que o nosso senso ocidental e europeu de justiça e certo x errado.


De Mari a 9 de Dezembro de 2008 às 23:22
Que blog incrível!
Já estou fã!!
Vou colocar vc nos meus blogs. Posso?
Queer Girls e Lesbosfera!
http://queergirls.blogspot.com
http://lesbosfera.blogspot.com
Vou colocar os selinhos tbem!!
Adorei!!


De Anatólia a 10 de Dezembro de 2008 às 01:36
oi...
Caramba! Que triste, que horror, que que que, é inominável.
Lendo o teu texto, fui catar nas minhas coisas e encontrei um livro que retrata todo este sofrimento das mulheres mutiladas - é isso mutilação. é um livro da anistia internacional, que mais ou menos, retrata o que o texto falou, "La Mutilación Femenina y los Direchos Humanos". Acho que se pedir para a anistia internacional eles enviam gratuitamente, aliás eu ganhei o livro, acho que num forum social mundial. O livro traz mapas, regios, história, tudinho sobre o assunto.
Mara, tá bom de mais as informações que tu traz.
Mara obrigado.
Mara beijos.


De Victor S. Gomez a 11 de Dezembro de 2008 às 17:00
Esse é um problema antigo em alguns países da Africa, espero que logo consigam solucionar esse problema. Abraços


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