Sábado, 22 de Dezembro de 2007

Um dia, um casamento, uma casa, uma vida a duas, planos de uma viagem ao exterior e até de um tapete novo para a sala. No outro, nada. Nada. Só você, suas roupas dentro de sacos de lixo, usados na pressa de se retirar da vida de alguém, e o vazio das perguntas sem respostas que atormentam sua mente. Nada que explique o frio “preciso ficar sozinha, por favor, vá embora”, que soa como desculpa esfarrapada para qualquer ouvido mais treinado e experiente.

- Por que? Onde eu errei? O que aconteceu? Você mentiu quando disse que me amava?

Mas nenhuma resposta vem. De um dia para o outro você passa de dona do mundo a uma alma perdida na multidão. Tudo o que você acreditava estar certo, perfeito e encaixado cai por terra diante dos seus olhos incrédulos e impotentes. Esses mesmos olhos que não viram que você estava sozinha na relação. Aos poucos, as coisas que ficaram para trás vão sendo devolvidas em caixas de papelão, empilhadas em cima da esperança de que aquilo tudo não passa de um pesadelo. Não, não é mentira, acabou. Simplesmente acabou.

Nos ensinam a conquistar, manter e vivenciar um relacionamento, mas nunca nos ensinaram a encaixotar um amor que ainda pulsa intenso dentro do seu coração. O que a gente faz com isso? Com essa saudade louca? Com a falta que a pessoa te faz? O que a gente faz com um amor que ainda não acabou? Por favor, alguém me ensine a “desamar”, a empacotar um casamento em caixas de papelão e sorrir ao devolvê-lo. Essa lição, só ela aprendeu.

cuidado! frágil!

(por Nina Lopes - jornalista e escritora)


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publicado por star às 10:15 | link do post | comentar

2 comentários:
De Luiz Lailo a 23 de Dezembro de 2007 às 10:48
Há pessoas que lidam bem com essa situação. Tive um amigo que casou cinco vezes à procura do equilíbrio em seus relacionamentos. Depois me confessou que o erro sempre esteve com ele. O último casamento ficou estável porque ele já estava mais calmo, entrou para a igreja e etc. Ele nunca olhou pra trás.
Eu tenho vontade de contar a história desse amigo e de suas famílias que, apesar de separadas dele fisicamente, sempre mantiveram laços espirituais muito fortes. E vez por outra eu chegava em sua casa e parecia festa (devia ser mesmo), porque encontrava quase todos os filhos de todos os casamentos no maior clima de alegria.


De Anónimo a 18 de Maio de 2008 às 19:53
Bem, não assumo com naturalidade essa impermanência dos sentimentos que de uma hora para outro se liquefazem sem menor constrangimento.Como diz a Desemb Berenice "o Amor merece ser visto como uma realidade sob tutela"eu vou além, deveria ser "crime contra a humanidade" mudar de idéia tão rapidamente e sem explicação.A modernidade liquida nos impõe amores liquidos e que imopõe , pelo menos para mim, um sofrimento sólido.
Lamento.Demasiadamento lamento.
cris
cristinafranco@gmail.com


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