Sexta-feira, 21 de Dezembro de 2007

a feminista que tirou as mulheres da cozinha, a mãe de todas nós.

Susan B. Anthony (foto da esquerda) foi a maior defensora dos direitos das mulheres numa época em que elas eram consideradas cidadãs de terceira classe. Nascida em 1820, Anthony se engajou na luta feminista em 1851 com o intuito de corrigir vários erros da sociedade vitoriana. Querem ter uma idéia da penúria em que se encontrava o dito 'sexo frágil' na América do século XIX?

Vamos lá: as mulheres não tinham direito à propriedade, ou seja, não podiam registrar nenhum bem em seu nome; não tinham direitos sobre os próprios filhos, que podiam ser arrancados de seus braços se os seus maridos assim o desejassem; deviam obedecer aos seus pais, maridos e irmãos, o que significava, na prática, que eram propriedade dos homens de sua família; as operárias ganhavam uma miséria comparada à paga dos homens e geralmente a jornada diária chegava a ter 16 horas; as poucas abastadas que conseguiam estudar cursos superiores não podiam exercer a sua profissão, pois o mercado de trabalho era totalmente fechado a elas e, finalmente, nenhuma mulher, rica ou pobre, branca ou negra, podia votar.

Pouco a pouco, com a ajuda de um pequeno exército de mulheres briguentas, Susan B. Anthony conseguiu que todas essas restrições fossem eliminadas. Sua primeira conquista foi a regulamentação do direito à propriedade, mas sua principal ambição - o direito ao voto - só foi instituído depois de sua morte. No entanto, tão grande era o débito do povo americano ao empenho desta mulher que a décima nona emenda, que garantiu o voto às mulheres, é conhecida até hoje como a 'emenda Anthony'. Um outro aspecto de Susan era sua aversão aos homens e seu amor pelas mulheres. De tanto odiar a sociedade patriarcal em que vivia, Anthony resolveu que jamais iria se casar e, de fato, permaneceu solteira para o resto de sua vida. Mais que isso, muitos historiadores especulam que Anthony pode ter tido algumas relações lésbicas, principalmente na idade madura.

Algumas de suas cartas para a jovem Anna Dickinson (foto da direita), a mais bela e cativante oradora feminista da América, atestam um amor quase carnal: 'Anna, querida, quisera pudesse apertá-la forte em meus braços neste exato momento', ou quando a convidava para a sua cama, que dizia ser 'grande o bastante e boa o suficiente para acolhê-la'. Dickinson, por sua vez, retribuía cada palavra e gesto afetuoso de Anthony, a quem admirava profundamente, escrevendo cartas igualmente apaixonadas: 'Eu realmente quero te ver, muito, segurar tuas mãos nas minhas, ouvir tua voz, em suma, eu te quero - será que posso te ter?'.

Este tipo de ligação apaixonada entre uma mulher mais velha e uma jovem era bastante comum entre as sufragistas americanas. Muitas delas, assim como Anthony, não se casavam porque julgavam que as obrigações de esposa inviabilizariam sua dedicação à causa. Assim, sem maridos para sustentá-las (ou prendê-las), essas mulheres se apoiavam umas nas outras. Se havia sexo nestas relações apaixonadas era impossível saber, devido à extrema discrição e os perigos de difamação que rondavam estas mulheres, apenas por serem feministas.

Essas associações íntimas entre duas mulheres eram também chamadas de 'amizades românticas' ou 'casamentos bostonianos' e eram tão fascinantes que muito se escreveu sobre elas. Dizem que Henry James inspirou-se nas próprias Susan B. Anthony e Anna Dickinson para compor as personagens Olive Chancellor e Verena Tarrant, respectivamente, em seu romance 'The Bostonians'. Musa inspiradora de gênios como Gertrude Stein e Henry James, sinônimo da emancipação feminina, Susan B. Anthony foi uma mulher controvertida e apaixonante. Não à toa, Gertrude Stein a eternizou como 'A Mãe de Todas Nós'. Não seríamos nem metade do que somos não fosse sua raivosa, às vezes equivocada, mas bem sucedida luta por nossos direitos e seu incondicional amor pelas mulheres.

(por Vange Leonel - jornalista, escritora e ativista)



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