Domingo, 21 de Outubro de 2007
Reportagem da ‘Folha de S.Paulo’ informa que o juiz Edilson Rodrigues, de Minas Gerais, considerou a Lei Maria da Penha</u> inconstitucional. A lei é contra violência doméstica, acaba de completar um ano e, embora possa ser alvo de críticas, entrou em vigor para recrudescer a punição de homens que cometem violência contra as mulheres. Já o juiz considerou a lei um conjunto de regras ‘diabólicas’, afirmou que o ‘mundo é masculino’ e disse na sentença que ‘a desgraça humana começou por causa da mulher’. Com esses argumentos, ele rejeitou os pedidos de medidas contra homens que agrediram e ameaçaram suas mulheres. O jornal transcreve parte da sentença, que reproduzo abaixo, porque me parecem a confirmação do quanto o machismo ainda está vivo e precisa ser combatido:

'Ora, a desgraça humana começou no Éden: por causa da mulher, todos nós sabemos, mas também em virtude da ingenuidade, da tolice e da fragilidade emocional do homem (…) O mundo é masculino! A idéia que temos de Deus é masculina! Jesus foi homem! Para não se ver eventualmente envolvido nas armadilhas dessa lei absurda, o homem terá de se manter tolo, mole, no sentido de se ver na contingência de ter de ceder facilmente às pressões. A vingar esse conjunto de regras diabólicas, a família estará em perigo, como inclusive já está: desfacelada, os filhos sem regras, porque sem pais; o homem subjugado.'

(por Carla Rodrigues)


Lillith rejeitou Adão, o primeiro homem, quando ele tentou forçá-la a ocupar uma posição submissa, sexualmente e em essência. Lillith transformou-se numa serpente e enrolada na árvore do conhecimento convenceu Eva a comer o fruto, mostrando a necessidade dela, Eva, buscar a sua liberdade. Lillith simboliza a consciência de absoluta igualdade entre homem e mulher. Essa igualdade é reforçada pelo potencial andrógino em suas lendas. Ela é o aspecto instintivo, o aspecto terreno do feminino e as lembranças da incorporação do despertar sexual. Lillith a primeira feminista é descrita como uma deusa com longos cabelos e ornada de asas, com um corpo sensual e pés em forma de garras, aparece geralmente sem roupas, representando sua natureza indomada, é uma deusa sumeriana, hebraica e muçulmana, uma divindade extremamente complexa. Sua imagem muda de cultura para cultura, tornando-se mais e mais demoníaca, conforme os valores patriarcais começam a dominar.

Desde que o mundo é mundo, fomos marcadas a ferro e a fogo. Estigmatizadas, condenadas a pagar por toda a eternidade pela mordida na maçã, e por ter sido dividido o fruto, fomos punidas com o sofrimento das dores do parto. Geramos assim a idéia do pecado original. Desde que o mundo é mundo, a cruzada para “reeducar” as mulheres tem sido uma cruzada brutal e violenta. A “santa” Inquisição Católica catequizava o mundo contra os perigos das mulheres de pensamento avançado e ensinava como localizar, torturar e destruir essas mulheres. Professoras, místicas, amantes da natureza, estudiosas de ervas, parteiras por usarem as ervas para evitar as dores do parto foram consideradas bruxas. Durante anos e anos de caça as bruxas, a Igreja queimou na fogueira cinco milhões de mulheres. Um dos episódios mais sangrentos da história da humanidade. O massacre funcionou e o mundo de hoje é a prova disso. As mulheres, antes veneradas foram banidas dos templos. A época das deusas terminou. O planeta tornou-se um mundo de seres masculinos, e os deuses da destruição subiram aos altares. O mundo foi marcado por guerras, intolerância e ignorância movidas a testosterona.

Mulheres na África, ainda meninas são mutiladas, para que não tenham prazer sexual seus clitóris são extirpados. Mulheres muçulmanas são mortas pelos próprios maridos, pais ou irmãos. Mulheres brasileiras ganham apenas 65% do valor dos salários dos homens. Mulheres negras brasileiras recebem a metade do valor recebido pelas mulheres brancas. Mulheres enfrentam a dupla jornada de trabalho, além do emprego fora de casa, tarefas domésticas e o cuidado aos filhos. Mulheres morrem em conseqüência de abortos feitos em precárias condições de higiene. Mulheres são vítimas de algum tipo de agressão em distintas classes sociais.

Mara*



publicado por star às 06:22 | link do post | comentar

2 comentários:
De O Profeta a 23 de Outubro de 2007 às 09:59
Sabes uma coisa cara amiga? As regras fizeram-se para serem quebradas...


Doce beijo


De Sergio a 9 de Março de 2008 às 13:18
As palavras recheadas de estupidez proferidas pelo referido juiz são um reflexo da estupidez que as religiões cristãs têm propagado por dois mil anos. Antes dela, o judaísmo, e depois dela, o islamismo têm feito a mesma coisa.

Viva o Estado laico e igualitário!!!!

Sergio Viula
www.gls.zip.net


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