Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008

Em geral não é fácil para os pais e filhos encarar a homossexualidade. Por mais que se proclamem despidas de preconceitos, as famílias relutam, num primeiro momento, em encarar a verdade.

Apesar de haver relatos da percepção homossexual muito precoce, já aos 5 ou 6 anos de idade, é na adolescência que ela se torna mais forte. Dependendo do ambiente em que circula, o jovem tende a se sentir encurralado pelo preconceito, pela culpa, pelo temor da rejeição e pela tortura de ter que esconder esse segredo da família e dos amigos. O sentimento de vergonha é muito comum. E quando, finalmente, consegue expor sua orientação sexual, em geral já está num processo avançado de auto-aceitação.

Quando os pais descobrem é natural que reajam mal. Além dos preconceitos sociais, começam a se defrontar com os estereótipos relacionados a esse grupo, percebem-se frustrados diante das próprias expectativas e, muitas vezes se perguntam: ‘onde foi que eu errei?’ A primeira defesa é negar o fato. E essa negação se materializa por meio de múltiplas reações. Diante do desespero, os pais chegam a ter atitudes até violentas, tanto físicas quanto emocionais.

Para os filhos, o sofrimento maior diz respeito à auto-aceitação, à dificuldade de carregar uma culpa por não ter sido capaz de cumprir expectativas familiares e sociais. Nessa fase, o risco maior é o do afastamento: as relações tornam-se superficiais, revestidas de segredos, mentiras e dissimulação, gerando um grande desconforto na dinâmica familiar.

A partir do momento em que o jogo de mentiras deixa de existir, reagir contra é a política menos construtiva. O mais importante é definir a conduta adequada, e acima de tudo, acolher com carinho, demonstrar amor e procurar aceitar. Abrir mão dos preconceitos. Tentar compartilhar com outros pais os sentimentos que está vivenciando e procurar desmistificar o universo gay, despindo-o de todo o folclore que o cerca.

O desejo homossexual é espontâneo e involuntário. Não se trata de escolher. Convença-se que ser homossexual não é ser ou estar doente e, principalmente, que isso não tem volta. Leia, informe-se.

(por celia svevo com a consultoria do psicólogo: klecius borges)


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publicado por star às 20:45 | link do post | comentar

3 comentários:
De lailols a 12 de Setembro de 2008 às 22:13
Acho que falar de percepção homossexual aos 5, 6 anos não é muito correto porque nessa idade ainda impera a inocência. Inocência relativa, é bem verdade, porque já no meu tempo se brincava de médico e de papai e mamãe, cada um desempenhando suas exatas funções.

Mas como nunca li nada a respeito nem tive oportunidade de observar...


De [Farelos e Sílabas] a 13 de Setembro de 2008 às 19:59
...

Bom estar por aqui lendo artigos esclarecedores e reflexivos como este. Aliás, o blog é muito interessante!

Parabéns!

Como disse para um amigo ontem, só se vê bem o 'mundo de fora' quando a gente olha com bons olhos o 'mundo de dentro'. Ver-se é o primeiro passo. O barato de tudo é descobrir que nem masculinidade nem feminilidade são afetados por conta de orientação X, Y ou Z.

...


De Mara* a 15 de Setembro de 2008 às 10:01
Lailo, mesmo imperando a inocência, a sexualidade já era bem definida. Eu brinquei de médico também, mas nunca quis examinar os meninos, uma amiga gostava de medicar, tanto meninos, quanto meninas, com os anos me descobri lésbica e ela bissexual.

beijos


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