Terça-feira, 13 de Novembro de 2007
Cross-dresser é o termo genérico usado para descrever qualquer indivíduo que se vista com roupas do sexo oposto. Os cross-dressers podem ter orientação hetero, homo ou bissexual.

No passado isso era proibido. Algumas mulheres, por este ou aquele motivo, ousaram se travestir e sofreram as consequências deste ato por parte de um general, da Igreja, da polícia ou do pai. Todas conseguiram, de alguma maneira e somente durante certo tempo, driblar a proibição de vestir-se como homens. Uma morreu antes de ser descoberta, a segunda virou lenda viva, outra foi condecorada, a quarta deu um jeitinho e a última foi queimada pela Igreja e depois virou santa.


Dr. James Barry (1795-1865)
Seu nome verdadeiro era Miranda Stuart. Desde pequena queria ser médica. Como não era permitido que uma mulher freqüentasse a escola de medicina, Miranda resolveu disfarçar-se de homem. O truque deu certo e ela levou a farsa adiante: formou-se em 1812 e logo ingressou nas Forças Armadas da Inglaterra para servir como médico. Sua dedicação, seriedade e disciplina logo foram reconhecidos e o Dr. James Barry - nome de fachada de Miranda - fez carreira no Exército. Serviu em Malta, Cidade do Cabo e no Caribe, ascendendo na carreira militar por sua excelência na profissão. Viveu o resto de sua vida como homem e ninguém desconfiou de seu verdadeiro sexo, apesar de acharem aquele médico um tanto feminino. Uma de suas pacientes disse que nunca vira "mãos tão suaves". Só foi descoberta depois de morta quando seus colegas despiram o corpo para prepará-lo para o sepultamento. O funeral, que seria realizado com honras militares foi cancelado: Miranda "James Barry" Stuart foi enterrada como indigente.


Calamity Jane (1852-1903)
Sua fama é enorme até hoje e Jane é o verdadeiro e único protótipo da cowgirl. Pouco se sabe da sua infância, mas aos 17 anos já se vestia de homem e assim foi trabalhar no departamento de carga da Union Pacific. Em 1872 juntou-se ao Exército Americano para lutar contra os índios Sioux. Nesta época ganhou o apelido de "Calamidade" em função de seu gênio terrível e sua boca suja - falava mais palavrões que qualquer outro homem. Um dia, porém, na maior inocência, resolveu tirar a roupa para tomar um banho no lago, junto aos companheiros de batalhão. Não deu outra: descoberto seu verdadeiro sexo, recebeu o cartão vermelho e foi expulsa do Exército. Mudou-se então para a cidade de Deadwood onde, aos poucos, foi construindo sua fama de bagunceira, macha e beberrona. Mesmo assim era querida por todos. Certa vez, sem grana para sustentar a filha de 4 anos, recebeu a ajuda dos habitantes da cidade que resolveram realizar um evento em sua homenagem. Mas Jane não tinha jeito mesmo. Com o dinheiro angariado, deixou a filha de lado e foi enxugar a lata no saloon mais próximo. Para os politicamente corretos, Calamity Jane não é lá um grande exemplo, embora não tenha se comportado pior que muitos outros heróis americanos. Morreu em 1903, seu funeral foi um dos maiores jamais realizados na pequena cidade de Deadwood e depois disso vários filmes foram feitos em Hollywood contando sua história.


Maria Quitéria (1792-1853)
Maria nasceu em São José das Itapororocas em 27 de julho de 1792. Leonina e cheia de idéias grandiosas na cabeça, resolveu ingressar nas frentes pela Independência do Brasil tão logo ouviu o pai lastimar-se que não tinha filhos homens para servir em combate. Pediu ao pai para lutar, mas ele disse que lugar de mulher era na cozinha. Muito amuada resolveu, a despeito da decisão paterna, lutar assim mesmo! Pegou as roupas do cunhado, vestiu-se de homem e foi se alistar no Regimento de Artilharia. Durante o combate de Pituba, em 1823 atacou uma trincheira inimiga e fez vários prisioneiros. Por este feito, recebeu a honra de Primeiro Cadete reconhecida por sua coragem, bravura e destreza. Terminadas as lutas pela Independência, revelou seu verdadeiro sexo. A revelação só aumentou a estima dos companheiros. Foi depois recebida pelo próprio Imperador D. Pedro I que a condecorou com a Ordem do Cruzeiro. Aproveitou e pediu ao Imperador que escrevesse uma carta a seu pai para que desculpasse a sua desobediência quando entrou para o exército e vestiu-se de homem. D. Pedro escreveu a carta e Maria voltou para a sua cidade natal, onde foi recebida com festas e honrarias.


Rosa Bonheur (1822-1899)
A pintora francesa Rosa Bonheur teve que solicitar uma autorização à polícia de Paris para poder circular pela cidade vestida de homem. Rosa era lésbica, gostava de se travestir, mas a justificativa para o pedido era outra: a fim de estudar melhor a anatomia dos animais ela freqüentava os matadouros da cidade e, para visitá-los sem ser atormentada, precisava vestir-se de homem - afinal, matadouros não eram lugar para mulheres. Rosa pôde então andar pela cidade vestida de homem, mas sempre levava consigo o certificado da polícia. Depois que vendeu um quadro para o Palácio de Buckingham, Rosa alcançou um sucesso enorme na Inglaterra e depois na sua França natal. Suas pinturas de dimensões enormes, sempre retratando cavalos, eram mais e mais requisitadas pela alta nobreza européia. E, vejam só: sua técnica perfeita ao desenhar cavalos só foi adquirida graças a uma autorização para vestir-se de homem. Sem ela Rosa seria "tirada" de circulação.


Joana D'Arc (1412-1431)
A história de Joana é bem conhecida: durante a guerra dos Cem Anos uma camponesa de 16 anos ouviu as vozes de Santa Catarina, Santa Margarida e São Miguel Arcanjo convocando-a a lutar pela França contra os invasores ingleses. Para que não despertasse sentimentos ambíguos em seus comandados, as vozes ordenaram que Joana se vestisse de homem. Joana então convenceu o destronado Carlos VII de sua missão nacionalista e, em pouco mais de um ano, capturou de volta a cidade de Orleans e coroou finalmente o Rei da França. Foi depois traída por seu rei que a vendeu para o inimigo. Joana foi condenada, mas se retratou na última hora pensando que assim seria libertada. Assinou um documento negando a veracidade das vozes que ouvia e prometeu não vestir-se mais de homem. Arrependeu-se depois ao constatar que não seria libertada e que permaneceria encarcerada o resto de sua vida. Rebelou-se e, na prisão, voltou a usar trajes masculinos. Foi enquadrada por crime de reincidência e levada à fogueira. Quando seu corpo começava a queimar ordenaram que apagassem a fogueira para que todos ali vissem o corpo nu de uma mulher. Depois, atearam fogo novamente até que não sobrasse nada. Não adiantou nada tirá-la de circulação, foi transformada em santa 500 anos depois.

(por Cilmara Bedaque e Vange Leonel)

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publicado por star às 22:40 | link do post | comentar

1 comentário:
De Lilian Silva a 23 de Novembro de 2007 às 18:28
oi
muito legal seu blog,gostei da materia Cross-dresser bem diferente
um abraço e muito sucesso


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