Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

Um episódio polêmico marcou o boxe em 24 de março de 1962. Quando Emile Griffith em uma luta televisionada na noite de sábado, disputava pela terceira vez o título mundial dos meio-médios, sua orientação sexual virou problema no ringue. O adversário, o campeão de peso-médio, um lutador cubano chamado Benny “Kid” Paret o chamou de ‘bicha’ e apalpou o seu bumbum diante da multidão. Griffith derrubou o adversário que estava indefeso, preso nas cordas no canto do ringue, por nocaute no 12º round. Griffith socou e socou com força a cabeça desprotegida de Paret. Quando o árbitro finalmente afastou Griffith, Paret escorregou lentamente para a lona e o levaram em uma maca, ficou em coma por dez dias antes de morrer. Griffth entrou em depressão e pensou em abandonar o boxe.

Uma luta que nunca deixou de assombrar Emile Griffith. Uma luta trágica e suas conseqüências envolvendo os seus sentimentos sobre sua própria sexualidade, que foi outro tormento que teve que carregar por anos. A luta era a terceira entre os dois, cada um ganhou uma. Durante esse período Paret repetidamente provocava Griffith, que havia sido um designer de chapéu no distrito de roupas de Manhattan e era conhecido por freqüentar clubes gays. Durante as pesagens Paret caçoava de Griffith, e o chamava de ‘maricon', e isso o irritava, cansado das pessoas que o chamavam de ‘veado’. Nascido em 1938 nas Ilhas Virgens Americanas, Griffth foi um dos mais violentos pugilistas de sua época. Foi seis vezes campeão mundial.

Emile Griffith, alguns anos atrás, em uma entrevista a um jornalista do ‘The New York Times’, disse que brigou por toda a vida com sua sexualidade e que sabia ser impossível no começo dos anos 1960 para um atleta em um esporte de ‘macho’ como o boxe dizer: ‘Ah sim, eu sou gay’. 'Eu matei um homem e a maioria das pessoas entendeu e me perdoou. Agora, se dissesse que amava um homem, sei que isso seria imperdoável para muitas pessoas'. Foi assim que Emile, aos 67anos, com todo o seu cabelo e parte de sua memória perdidos, assumiu sua homossexualidade. Ele não queria mais se esconder e confessou que esperava participar da Parada Gay de Nova York daquele ano.

A fúria irracional sobre a questão do casamento gay, e a idiota política ‘não pergunte, não fale’ nas forças-armadas americanas, ainda continuam sendo reservatórios de ódio prontos para serem descarregados em homens e mulheres gays que somente gostariam de viver suas vidas livre, aberta e honestamente. Hoje as coisas não estão tão ruins como em 1962, mas ainda não estão boas. É aplaudida a tolerância em relação aos gays que supostamente se desenvolveu nos últimos anos, mas é uma tolerância fina como um biscoito. Muitos esportistas gays ou bissexuais ainda vivem presos dentro da capa protetora da falsidade, com medo, por boas razões, de se revelarem.



publicado por star às 07:57 | link do post | comentar

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