Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008
sappho

Sappho foi uma das maiores poetisas da antiguidade, o que lhe valeu o título de décima musa, mas seus poemas estão quase todos perdidos ou destruídos. Apesar das pouquíssimas informações objetivas que existem a seu respeito, pode-se dizer com certeza que ela vivia em Lesbos, era de família aristocrata, foi exilada da ilha durante um período por desavenças políticas, cantava poemas que ficaram famosíssimos, amava mulheres e que existe muito mito em torno de sua vida.


Mentiras sobre Sappho:
- Sappho não escrevia poemas
Seus poemas eram cantados e ao lado de Alceus, é considerada a maior poetisa lírica da antiguidade. Lírica, porque seus poemas eram acompanhados pela lira. Mesmo assim suas canções, por serem populares, sobreviveram via transmissão oral até que pudessem ser vertidas para o papiro e só foram compilados em versões escritas quase um século após sua morte.

- Sappho não amou Phaon e depois se atirou de um penhasco
A sua fama era tão grande e sua personalidade tão marcante que ela tornou-se tema e personagem de muitas peças encenadas em Atenas. Muitas dessas peças eram comédias, pois a figura de amante de mulheres e mulher máscula serviam apenas para propósitos cômicos. Em uma dessas peças, escrita quase oito séculos após a sua morte, uma Sappho fictícia se apaixonava por Phaon, um rapaz lindo, era rejeitada e se suicidava, atirando-se de um penhasco.

- Não havia uma outra Sappho, a cortesã
Depois que foram dominados pelos romanos, a cultura grega foi assimilada, transformada e até desmoralizada. Os poemas de Sappho eram vistos como abjetos e decadentes e num empenho para livrar sua poetiza da má fama, alguns estudiosos gregos ‘inventaram’ a existência de uma outra Sappho, a cortesã. Desta maneira, todas as acusações sofridas pela verdadeira Sappho foram atribuídas à sua homônima.

- Sappho não foi a única poetisa da antiguidade
Assim como ela, várias mulheres cantaram e escreveram poesia e foram contemporâneas da poetisa de Lesbos, como Moero, Anyte, Erinna e Nossis. Mas nenhuma teve a projeção de Sappho em sua época e todas sofreram o destino do esquecimento que sua contemporânea mais famosa sofreu.

Verdades sobre Sappho
- Sappho inventou a palheta
Embora ninguém saiba, foi ela quem inventou um pequeno artefato para tocar sua lira, poupando os dedos e extraindo um som mais puro de suas cordas.

- Sappho amou garotas
Os únicos poemas que restaram são explícitos no tocante ao seu amor, espiritual e físico, pelas mulheres. Não é difícil imaginar o amor entre mulheres na Grécia se o amor entre homens era tão comum. O forte ambiente homo-social na Grécia arcaica favorecia as relações amorosas entre pessoas do mesmo sexo e, assim como os homens, as mulheres se reuniam entre si para a celebração de várias festas ou reuniões culturais, chamadas simpósios. A exemplo do que acontecia entre os homens, o amor entre mulheres parecia sempre obedecer certas regras hierárquicas. Sappho, a mais velha e mais instruída, parecia sempre exercer um papel ativo, de posse de seus desejos e as garotas mais novas a quem ela dedicava seu amor ficavam numa posição mais passiva, sendo apenas receptoras do desejo da poeta. Vale lembrar que naquele período a homossexualidade não era vista como algo reprovável. O ‘pecado’ maior era desobedecer estas ordens hierárquicas.

- Seus poemas foram queimados
A biblioteca de Alexandria registrava a existência de nove volumes de sua poesia completa e sua obra era conhecida em todo o Mediterrâneo. Toda biblioteca e toda escola tinha à disposição uma compilação dos poemas de Sappho. Com a ascensão do cristianismo, as transcrições dos poemas de Sappho não eram mais estimuladas e alguns volumes existentes foram jogados à fogueira em campanhas da Igreja, juntamente com outros livros. Desta maneira, versões escritas de seus poemas desapareceram. Um só poema restou em sua forma completa, transcrito em um tratado sobre composição literária de 1508. Todos os outros fragmentos conhecidos foram encontrados em papiros numa escavação no Egito na metade do século XIX. (informações retiradas do artigo: 'Sappho, a primeira pop star da história' de Cilmara Bedaque e Vange Leonel)

sappho papiro

Papiro traduzido por Ambrose Phillips, em 1711:

"Oh Venus, beauty of the skies,
To whom a thousand temples rise,
Gaily false in gentle smiles,
Full of love perplexing wiles,
Oh goddess from my heart remove
The wasting cares and pains of love."



publicado por star às 15:50 | link do post | comentar

1 comentário:
De O Profeta a 10 de Outubro de 2008 às 12:43
Atravesso o céu em sonhos
Três aves do mar, três raios de sol, três punhais
Seguem-me apontados à solidão
Ah este vento que sopra nos brandais



Vem viver comigo uma história real…


Bom fim de semana




Doce beijo


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