Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008

Aos 27 anos e totalmente desconhecido pela comunidade científica, Freud era um jovem pesquisador da neuro filosofia, que corresponderia, hoje, à neurociência. Ouvia o não dito, inventava expressões (ego, id, superego, ato falho, complexo, inibição, neurose, projeção, psicanálise, psicose, repressão, transferência), avaliava as entrelinhas e observava as incoerências. Assim, o grande mestre e médico da alma iniciou a construção da sua obra e legou este presente inestimável para todos os que, na qualidade de pacientes, são beneficiados pela “talking cure”, a cura pelas palavras.

No verão de 1883, Josef Breuer, médico de grande reputação em Viena, apresenta a Freud o caso de uma paciente histérica: bela, rica, educada, inteligente e infeliz. A paciente sofria de um estranho distúrbio de fala após a perda do marido e estava em depressão. Aguardava estendida sobre o divã e apoiada numa almofada. Quando viu Freud, gritou: ”não me toque, não diga nada, não se mexa!". Expressou a vontade de falar sem ser interrompida e foi atendida. Assim nasceu a psicanálise.

Numa carta à jovem noiva Martha, Freud conta que o Dr. Breuer lhe revelara 'certas coisas' sobre a paciente que não poderiam jamais ser divulgadas e que enquanto ela contava suas lembranças, desapareciam, aos poucos, os sintomas e as alucinações. Mais tarde esta paciente, Bertha Pappenheim, que se tornaria líder de movimento feminista, assistente social e escritora, apareceu para a história como um ícone da psicanálise e ficou conhecida pelo pseudônimo 'Anna O', criado por Breuer em seu livro 'Studies on hysteria', escrito em colaboração com Freud.

Em 1887, um mês depois do nascimento de sua filha Mathilde, quando decidiu usar a abstinência como método anti-concepcional, Freud conheceu Wilhelm Fliess (foto). A partir dali, teve início uma longa amizade, alimentada pela correspondência íntima e científica. A correspondência com Wilhelm Fliess cobre o período entre 1887 e 1904, quando um Freud apaixonado pelo trabalho que desenvolve, sobre a teoria e a prática da psicanálise, troca idéias com Wilhelm Fliess.

Ao contrário de Freud, que dizia não crer em nada, Fliess era esotérico, acreditava no poder dos cristais e era apaixonado pela numerologia. É considerado o pai das teorias sobre a bissexualidade. Este otorrino judeu berlinense fazia extensas pesquisas sobre a fisiologia e a bissexualidade e desenvolvia pesquisas sobre o papel do nariz: as doenças sexuais seriam causadas por distúrbios da mucosa nasal, da mesma fisiologia da vaginal. As 287 cartas trocadas entre Freud e seu colega Wilhelm Fliess, são um testemunho dos primeiros momentos da psicanálise e também sugerem que, com o tempo e a intimidade, algo mais aconteceu entre os dois médicos.

Freud comenta nas cartas suas hesitações, experimentos, erros e vitórias e, muito interessado no amigo, o nomeia em certas passagens de seu 'juiz supremo'. Essenciais no caso de um estudo mais profundo da obra de Freud, estas cartas estavam em poder de um livreiro e foram achadas quase por acaso. São consideradas as mais importantes fontes de informação sobre os primórdios da psicanálise. Conhecemos só uma das mãos de direção: as cartas escritas por Fliess nunca foram encontradas.

Freud aos 44 anos, com o trabalho de auto-análise, descobriu o papel dos sonhos na vida física. O livro sobre interpretação dos sonhos causou grandes mudanças em sua história pessoal. A amizade apaixonada por Fliess, centro e a inspiração da auto-análise, foi esfriando gradualmente até dar lugar a brigas violentas e destruidoras.

Freud, até então, fazia de conta que não existiam diferenças gritantes entre seu pensamento e o de Fliess, que considerava um gênio e o chamava de seu alter ego. Em determinado momento, no entanto, começa a se afastar e consegue perceber as falsas ilusões que nutria pelo colega e amigo. Muitos dos sonhos interpretados no livro do ano de 1900 mostram bem este estado de decepção.

Hermann Swoboda, paciente de Freud, era amigo e colaborador de Otto Weininger (foto esquerda), um teórico de idéias provocantes. Weininger publicou um livro contendo teorias muito parecidas com as de Fliess sobre a bissexualidade, o que fez com que este acusasse Freud de quebrar o segredo, durante sessão com o paciente.

Plágio, fofocas, espionagem científica, venda de informações e outras baixarias acabaram a amizade e macularam a história da psicanálise. O fim da relação deixou Freud ferido e desapontado. Conscientizado de sua propensão por amizades passionais, passa a lidar com as pessoas com grande dose de desconfiança até encontrar Carl Gustav Jung (direita), com quem reproduziria a mesma situação.

(por Thereza Pires)



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