Sexta-feira, 13 de Julho de 2007
título original: “c.r.a.z.y.”
gênero: drama
origem: canadá
ano de lançamento: 2005
direção: jean-marc vallée
elenco: marc andré-grodin, michel côté, danielle prouxl, pierre luc-brillant
premiação: ganhou o prêmio de melhor filme canadense no festival de toronto

Zachary Beaulieu vem ao mundo e é o 4º entre cinco irmãos, todos meninos, do casal Gervais e Laurianne. C.R.A.Z.Y. é um acrônimo do nome dos cinco rebentos da família Beaulieu: Christian, Raymond, Antoine, Zachary e Yvan. Nascido num 25 de dezembro e tendo escapado da morte alguns segundos após seu nascimento, Zachary cresce dotado de um suposto poder sobrenatural de cura. Cristãos fervorosos, os pai desconfiam que há mais no delicado Zachary do que seu dom: eles desconfiam que seu filho seja um pederasta. O filme acompanha duas décadas da vida de Zachary e sua bizarra família com as festas dos aniversários natalinos sempre pontuadas pela bisonha imitação que o pai insiste em fazer de Charles Aznavour, as brigas entre irmãos e, principalmente, sua angústia por ter, desde pequeno, tendências homossexuais que ele reprime com todas as forças.

Sua adolescência traz a descoberta de uma sexualidade diferente e sua negação profunda para não decepcionar a família. Zachary sacrifica-se pelo pai, que tanto admira, negando a si mesmo para ser aceito. E a maturidade, enfim, chega com uma libertadora viagem mística por Jerusalém, a cidade que sua mãe sempre sonhou conhecer. Uma sensível e engraçada história de auto-descobrimento, onde o próprio protagonista pontua seus momentos mais marcantes - desde o dia do nascimento até a idade adulta. Nessa jornada acompanhamos suas desilusões infantis, sexualidade reticente e seu caminho para conquistar não apenas o respeito dos pais e irmãos, mas também para se destravar e aceitar com a cabeça as escolhas que já fez há tempos no coração. É doloroso constatar que, numa família onde ninguém parece normal, sempre se elege um coitado para receber a descarga das frustrações de todos os demais.

E o grande acerto do filme é nunca perder de vista o tom irônico: todas as vezes que a história ameaça resvalar um pouco para o dramalhão, logo dá uma virada bem-humorada. Outro detalhe é a caracterização das diferentes épocas, bem demarcada pelas mudanças não apenas no visual, mas também no gosto musical do protagonista. Sua trilha-sonora é repleta de músicos do calibre de 'The Rolling Stones', David Bowie e 'Pink Floyd'. O diretor claramente ama as canções, tendo escrito cenas memoráveis em torno delas. O filme não nos convida só a reflexão do significado do amor, mas também à incursão pelos sentimentos que polarizam o amor humano: ódio, paixão, remorso, gratidão, medo, solidariedade etc. Um filme sensível, engraçado e magistralmente comovente. Cartilha obrigatória a pais educandos.



publicado por star às 07:27 | link do post | comentar

19 de agosto

posts recentes

prince: ícone gay no pass...

recuperado está

o que é: homofobia interi...

j. edgar hoover e clyde t...

trevor project e daniel r...

arquivos

Agosto 2010

Novembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

tags

* cronologia do movimento gay

* retrospectiva 2007

* retrospectiva 2008

a homossexualidade no decorrer da histór

citando

colírio

definindo

depoimentos

direitos e leis

divulgando datas

divulgando eventos

divulgando organizações e ongs

ela e ela

fatos e fotos

feministas

filme e pipoca

homossexuais célebres

livro e abajur

música e sexualidade

musicando estrelas

o que é

poetando

quadrinhos e revistas gays

sombra e luz

sussurros...

vídeos e comerciais

todas as tags

blogs SAPO
subscrever feeds