Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007

Até hoje as indenizações às famílias das vítimas do holocausto gay ainda não foram efetivadas, apesar da pressão da ONU pelo ressarcimento dos homossexuais perseguidos pelo III Reich, pelo acordo ratificado pelos bancos e por culpa do próprio responsável, o governo alemão, criando diversos empecilhos financeiros. Cerca de 15 mil gays condenados e mortos pela hegemonia da raça ariana não tinham direito nem mesmo a um memorial na capital. Em Berlim, negou-se a grupos ativistas e famílias a construção de um monumento aos gays.

Tudo começou em 8 de março de 1933 quando foram instituídos os primeiros campos de concentração. Berlim, considerada a capital dos movimentos humanistas e da liberdade homossexual, tornou-se palco de uma guerra homofóbica e particular. Os pontos de encontro e os cabarés foram invadidos pelos soldados da Gestapo (polícia secreta) com suas armas e licenciados pelo recém-instituído “Parágrafo 175” da lei (que classificava a homossexualidade como desvio). Homossexuais e lésbicas foram arrastados aos campos de concentração onde nem ao menos eram julgados pela justiça, mas sim pelo órgão administrativo da seção. Os que tinham alguma influência ou "sobrenome" eram designados para a detenção ou deportação, mas os outros eram liquidados nos campos. Às lésbicas eram feitas algumas concessões em virtude de sua natureza como genitoras. Lá, eles eram marcados com um triângulo rosa no braço e além de conviver com os criminosos e assassinos não podiam sequer conversar com os outros detentos homossexuais. O objetivo dos nazistas não era eliminar os homossexuais, mas modificá-los através de tortura, chantagem, espoliação de patrimônio e até usá-los como cobaias para experiências médicas, entre elas a castração.

Em 1943, Henrich Himmler autorizou a prática da castração dos deportados homossexuais, quando um grande número de pessoas morreu durante a intervenção cirúrgica. Os homossexuais sobreviventes eram designados para as tarefas mais duras em campos de trabalho forçado. Em 1944, os primeiros campos são dominados pelos aliados, e os homossexuais que sobreviveram ainda tinham medo de declarar o motivo de sua deportação por conta dos obstáculos sociais, familiares e de trabalho que viriam em seguida a um testemunho desta natureza. Para muitos deles, o retorno à liberdade significava uma auto-censura diante de uma legislação hostil ainda, período em que a grande maioria se exilou no anonimato. Tudo por culpa da ausência de uma lei que reconhecesse a perseguição por orientação sexual, pela fragilidade dos movimentos ativistas gays nos anos 70, e pela própria sociedade, inclusive intelectuais, que escamoteavam uma realidade à qual preferiam fechar os olhos. Porém uma realidade que estava estampada na memória coletiva.

Em 1982, na França, Pierre Seell, diante de uma nova coação homofóbica, decide romper o silêncio e revela todo o tipo de sofrimento que passou nos campos. Um austríaco, Heiz Heger, depõe em seu livro toda a verdade chocante que se passava por trás dos muros de concentração. Meses depois, Martin Shermann, judeu e gay, apresenta uma peça onde aborda pela primeira vez o holocausto gay no teatro. De Londres, a peça foi para Paris e para a Broadway em 1979, onde o mundo conheceria a verdade atrás da iconografia oficial dos nazistas. Graças a esta abertura dos primeiros deportados gays, à coragem e a atitude das futuras gerações do holocausto nazista, hoje, sabemos que foram de 90 a 100 mil gays e lésbicas presos entre 1933 e 1945, de 10 a 15 mil somente no apogeu do nazismo. Sem falar dos outros esquecidos como os maçons, os doentes mentais, os aleijados, os fiéis da religião Testemunhas de Jeová...etc...etc...


o francês Pierre Seell e o austríaco Heiz Heger, gays sobreviventes dos campos de concentração e Martin Sherman, judeu e gay, autor da peça teatral “Bent”



Memoriais

Alemanha - Em 2003 o Parlamento alemão concordou em destinar US$ 610 mil (o equivalente a cerca de R$ 1,7 milhão) para a construção do memorial em homenagem aos gays no centro da capital alemã, Berlim. No ano anterior, em 2002, as autoridades da Alemanha apresentaram um pedido de desculpas formal aos gays perseguidos pelo nazismo, depois que foram derrubadas objeções conservadoras à medida. O memorial fica junto ao Parque Tiergarten em Berlim, perto do local onde se planejou construir um memorial sobre o Holocausto. Ao contrário do ocorrido com milhares de judeus mortos por ordem do governo de Adolf Hitler, os homossexuais vítimas do nazismo tiveram que lutar por reconhecimento. O estigma social e uma lei contra a homossexualidade – só revogada em 1969 – minaram os esforços para o reconhecimento das vítimas gays. A lei que autorizou a construção do monumento para os gays foi aprovada com o apoio do Partido Social-Democrata e do Partido Verde, que estavam no governo. O Partido Cristão-Democrata, na oposição, votou contra a proposta.

Itália - A cidade de Trieste (norte da Itália), uma das mais atingidas pelo nazismo na Itália, prestou uma homenagem aos homossexuais assassinados no Holocausto com uma lápide no antigo campo de extermínio de Risiera de São Sabba, onde morreram mais de 5 mil pessoas entre 1943 e 1945. A lápide foi inaugurada por ocasião do ‘Dia da Memória’, realizado no dia 27 de janeiro de 2005, depois de a iniciativa ter obtido a aprovação unânime da comissão do Museu da Risiera. Trata-se de uma placa de mármore preto com um triângulo rosa - como os que apareciam costurados nas camisas dos homossexuais no campo de concentração - e a inscrição: 'Contra todas as discriminações, o círculo Arcobaleno Arcigay de Trieste lembra as vítimas homossexuais do nazismo'. Além da lápide, no museu do campo de concentração são expostas fotografias e textos sobre a tragédia dos homossexuais durante o nazismo e o fascismo.

Israel - Em 2005 um novo memorial de Israel apresentou uma exposição dedicada a gays e lésbicas que foram vítimas do Holocausto. O Museu de Yad Vashem abriu oficialmente as portas em março de 2005, em Jerusalém. A homenagem a homossexuais não estava nos planos originais. Há alguns meses quando o museu ainda estava em construção, Sa´ar Netanel, membro da Prefeitura de Jerusalém, visitou a construção do museu que homenageia os 10 milhões de judeus mortos pelos nazistas. Netanel afirmou na ocasião que ficou surpreso ao ver que o museu não mencionava gays e lésbicas e comunicou o fato ao diretor. 'O povo judeu tem a obrigação moral de relembrar todas as vítimas da Segunda Guerra Mundial', disse Netanel. 'O Estado de Israel deve ser o primeiro país no mundo a mencionar todas as vítimas', disse.

Áustria - Em 2006, um monumento foi construído na área onde ficavam os quartéis da Gestapo em Morzinplatz, Viena, em lembrança às vítimas gays do nazismo com a inscrição ‘Queer’ na cor rosa.

(fonte: GLSplanet)



publicado por star às 07:02 | link do post | comentar

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