Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008

Em algum lugar, há uma filha lésbica ou um filho gay que chora a distância de seu pai. Às vezes, diante da rejeição familiar, um dos caminhos é o exílio. É preciso sobreviver emocionalmente e tentar viabilizar uma identidade sexual sem mentiras nem pressões e, em muitos casos, sem violência. Lésbicas e gays fogem das cobranças de cumprir o script heterossexual, dos ataques dos pais, da lembrança constante de ser um fracasso em relação às expectativas do clã, das situações de vexame, escárnio e vergonha. Não é fácil ser a ‘ovelha negra’ ou a ‘lepra’ da família (termo banido, mas a sensação é essa).

Para os pais que se arrependem de ter repelido seus filhos devido à orientação sexual, há sempre a chance de repensar suas posições e buscar a reconquista da confiança. É preciso tentar entendê-los. Aproxime-se. Prove que suas atitudes mudaram. Expresse sua aceitação tardia. Livre-se das idéias de um mundo atrasado, ultrapassado e autoritário. Ninguém tem culpa de sentir qualquer tipo de desejo. Reprimir só gera monstros.

Não seja durão. Desprezar um filho ou uma filha que tenta ser autêntica e verdadeira não é a melhor dívida a se ter na vida. Primeiro, busque informação. Converse com outros pais. Seja humilde, reconheça suas limitações, mas deixe claro seu esforço em ser mais humanista. Drible a insistência no mundo das mensagens subliminares que perpetuam o ódio ao diferente.

Não precisa ser militante nem proclamar aos quatro ventos que sua filha é lésbica ou seu filho é gay. Não precisa nem participar de uma parada gay, embora essa experiência seja importante para se convencer do conceito ‘diversidade’. Por mais óbvio que seja, não há um único modelo ou embalagem de ser homossexual. No cotidiano, enfrente as dificuldades. A parceira dela ou parceiro dele pode ser de mais idade, ela pode ser masculinizada ou ele mais efeminado ou simplesmente uma vigarista ou um aproveitador. Mas não julgue nem interfira explicitamente. Não invada a privacidade. Não mexa nas suas coisas procurando provas. Não espione. Não force. Não encha de perguntas.

Ao ouvir pela primeira vez sua filha ou filho saindo do armário, não surte. Não torne as coisas mais dramáticas nem traumáticas. Não seja abusivo. Não reze. Não chore. Não marque uma consulta médica. Apenas abrace. Apenas beije. Não precisa de palavras. Apenas controle o seu pensamento e as suas ações na busca de respostas para estas questões: como posso manifestar meu apoio de pai? Como posso deixar claro que estarei ao seu lado e sempre a(o) defenderei? Como posso evitar magoá-la(o) emitindo algum sinal inconveniente ou ofensivo? Como posso me tornar superior ao senso comum dos preconceitos? Como posso explicitar o meu respeito a sua individualidade e ao seu direito de ser livre e feliz?

(sérgio ripardo)


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publicado por star às 08:37 | link do post | comentar

3 comentários:
De joao a 9 de Agosto de 2008 às 12:21
mto legal seu post.........
a maioria sofre calado mesmo.....


De Isa Zeta a 10 de Agosto de 2008 às 10:19
Obrigada, muito obrigada por esse post.

Eu precisava ler.


De Anónimo a 22 de Agosto de 2008 às 04:06
Infelismente poucos pais pensam dessa forma,sociedade e familia recriminando não é muito fácil para nós homossexuais.É uma pena que não possamos fugir dessa triste realidade que é essa sociedade "cabeça dura".

Adorei o post,pena q minha mãe n sabe mecher no pc pra dar uma olhada,concerteza ajudaria muito aqui em casa.
hehehe


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