Sexta-feira, 6 de Março de 2009

Restrição aos locais que podem frequentar e preconceito religioso, mas contar aos pais é a parte mais complicada. Numa sociedade cheia de regras de comportamento, o amor ainda precisa ser escondido.

love is never wrong

A empresária Teresa tem 35 anos. Há três é casada com a funcionária pública Mariana, de 24 anos. Obrigadas a esconder seu amor, elas vivem praticamente duas vidas paralelas. Por questões profissionais Mariana não pode revelar a todos o casamento e o amor por Teresa. Aprenderam a se tratar de formas diferentes: na intimidade chamam-se por apelidos carinhosos, diante de certas pessoas tratam-se pelos verdadeiros nomes, para não chamar a atenção. Coisas simples e deliciosas que um casal pode fazer são andar nas ruas de mãos dadas e dar um abraço carinhoso. Não podem fazer este tipo de coisa, a maioria das pessoas vê como uma afronta.

Mariana trabalha em um órgão público e sabe que se contar sobre sua escolha pode ser o fim de sua carreira. Mais do que qualquer pessoa precisa separar o pessoal do profissional. Sabe que seria muito rejeitada se soubessem. O passo mais difícil foi contar para a família sua orientação sexual. O medo de rejeição e não compreensão se fez presente na hora em que decidiram ‘sair do armário’.

Outro problema enfrentado por pessoas que assumem ser homossexuais é a falta de locais que possam frequentar sem sofrer rejeição. Pensando nisso, há um ano Teresa decidiu abrir seu próprio negócio. Criou um bar alternativo onde, como ela define: todas as pessoas, independente de raça, cor, religião e orientação sexual são bem-vindas. O bar é muito frequentado mesmo por héteros. Embora muitos não as respeitem, há inúmeras pessoas que as aceitam e compartilham com elas a ânsia por liberdade e igualdade.

Fernanda
Uma das frequentadoras assíduas do bar é Fernanda, jornalista. Cansada de ir a boates e casas noturnas onde não se sente respeitada, sabe quando as pessoas querem distância: quem é preconceituoso não sabe esconder, eles nos olham de cima a baixo, como se estivessem analisando, como se fossemos anormais ou algo assim. Fernanda conta que desde a infância soube que gosta de mulheres. Com 5 anos já notou que não gostava de meninos, sempre foi muito mais amiga deles e se sentia atraída por elas. Aos 12 anos aconteceu o mais esperado da idade: seu primeiro beijo, com uma menina mais velha. A família só ficou sabendo da verdade quando ela tinha 21 anos. A mãe foi quem sofreu muito, que não aceitou, morreu não aceitando. Uma ex-namorada de Fernanda nunca assumiu porque sua família é contra um relacionamento homossexual. Sofreram muito por não poderem assumir, por não terem o direito de andar de mão dadas e de se abraçarem na rua. Queriam as coisas simples da vida. Além de rejeitadas, as pessoas que se assumem são estigmatizadas. Muitos acham que somos promíscuos, isso não é verdade.

Paulo
Professor de informática, de 24 anos, sempre foi muito reservado em relação a sua orientação sexual. Sempre foi tão discreto que os pais souberam apenas quando já era adulto, quando passou por uma fase difícil. Teve complicações de saúde e acabou caindo em depressão. Hoje é bem aceito e a família não tem mais problemas por isso. Sempre achou que o mais complicado seria com o seu pai, que é policial, mas acabou não sendo tão difícil assim. Para ele, o segredo da felicidade é não se deixar abalar com críticas e comentários maldosos: se formos nos importar com tudo o que nos dizem, não saímos de casa e deixamos de viver a vida da forma que nos faz mais feliz. (fonte: jornal 'O Momento')



publicado por star às 09:19 | link do post | comentar

1 comentário:
De Juan Trasmonte a 6 de Março de 2009 às 22:20
Ter que esconder sentimentos é ser obrigado a reprimir o que de mais belo tem o ser humano, que é a capacidade de amar, é de uma crueldade extrema. Assim está o mundo.
beijos


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