Sexta-feira, 5 de Setembro de 2008

Esse amor é mal entendido nesse século, tão mal entendido que pode ser descrito como o `amor que não ousa dizer o nome' e, por causa disso, estou onde estou agora. Ele é bonito, é bom, é a mais nobre forma de afeição. Não há nada que não seja natural nele. Que as coisas deveriam ser assim o mundo não entende. O mundo zomba desse amor e, às vezes, expõe alguém ao ridículo por causa dele.’


Os anos de triunfo de Oscar Wilde acabaram de modo dramático. Responsável por peças, textos e epígrafes geniais, é dele a mais famosa frase sobre o amor gay e que perdura há mais de 100 anos, ‘o amor que não ousa dizer o nome’.

A relação entre iguais era ainda ilegal na Grã Bretanha e por causa da associação íntima com Lord Alfred Douglas ou Bosie, como era apelidado, um poeta de talento cujos poemas homoeróticos, dentre eles ‘Two Loves’, onde está a resposta ‘eu sou o amor que ousa dizer o nome’ à famosa frase, foram publicados em jornais acadêmicos e revistas de pouca circulação. Wilde foi denunciado, incriminado, julgado e sentenciado a dois anos de trabalho forçado pelo ‘crime’ de ser homossexual.

Dramaturgo, poeta e escritor ferino e polêmico, dono de grande sensibilidade, o irlandês Oscar Fingall O`Flahertie Wills Wilde foi um dos homens mais odiados e festejados de seu tempo. Precursor de um novo conceito de modernidade, mais conhecido pela sua obra-prima ‘Retrato de Dorin Gray’, livro que retrata a decadência moral, e que o colocaria para sempre na lista dos grandes escritores, Wilde mudou o modo de pensar do século XIX. Filho de um médico e uma jornalista e árdua defensora do movimento da independência irlandesa, Wilde sempre esteve rodeado por intelectuais.

Tanto pela sua inteligência quanto pelo temperamento forte e anti-convencional sobressaia-se aos demais, tornando-se uma pessoa indispensável e comentada nos eventos sociais, espalhando glamour e comentários por onde passava. Dono de uma aparência elegante e extravagante atraia os olhares pelas suas roupas e adereços que, segundo as suas próprias palavras, sempre refletiam o que de mais íntimo existia dentro de si. Oscar Wilde tinha a mistura perfeita de petulância e doçura.

Casado e pai de duas crianças, teve a vida pessoal estilhaçada pela perversidade que ainda hoje costuma acompanhar a curiosidade inglesa sobre a vida dos famosos. No seu apogeu literário, começam a surgir rumores sobre a sua homossexualidade, severamente condenado por lei e que deram início à sua decadência pessoal. Bosie foi o pivô de todo o seu drama amoroso.

Encarcerado como réu de crime inafiançável até que a sentença é decretada, toda a sua fama e sucesso financeiro começam a desmoronar. As suas obras e os seus livros são recolhidos das livrarias, assim como as suas comédias tiradas de cartaz. Mesmo condenado, Wilde declararia a todos que quisessem ouvir o que se passava dentro de si. A poesia estava nas suas veias e escreveu mais duas obras, uma delas “De Profundis’, uma longa carta a Bosie.

Libertado e banido de sua terra, transferiu-se para França, onde conheceu a pobreza e tudo o que de pior ela pode trazer. Viveu isolado em hotéis baratos, destruindo-se pelo absinto. Não mais veria seus filhos, que chegaram a trocar de nomes por vergonha do pai. Espirituoso e brilhante escritor, Oscar Wilde morreu de meningite. Morreu sozinho, mas a sua obra, pela sua genialidade, ainda é admirada.

Também afetado, Bosie jamais recuperou a saúde física e mental. Casou-se e teve um único filho. Tornou-se vingativo e de insuportável convivência. Diagnosticado com desordem esquizofrênica, convertido ao catolicismo, tentou se distanciar da poesia homoerótica e da influência de Wilde chamando-o de ‘agente do diabo’.

Que Bosie, foi a grande paixão da vida de Oscar Wilde não há dúvida. Já o inverso não parece ser verdadeiro. Uma relação tão intensa quanto cruel. E a Inglaterra não seria a mesma depois de julgar um de seus escritores e poetas mais famosos somente por gostar do mesmo sexo.



publicado por star às 14:40 | link do post | comentar

3 comentários:
De livia a 6 de Setembro de 2008 às 11:40
Sao pessoasassim,que dando a cara ao tapa,acabam revolucionando o comportamento,avançadno nas leis,mostrando a hipocrisia,buscando a felicdade nao imposta mas apossivel pela expressão afetiva sem negar a sexualidade,seja qual for. Seu blog é muito bom nas informaçoes,no teor de mostrar que a luta sobre o preconceito sexual ou da sexualidade reforça a dor humana.Amar é querer ser feliz e quem é feliz é uma pessoa melhor.Parabens.mneu abraço.


De Isa Zeta a 7 de Setembro de 2008 às 07:56
Eu adoro Wilde.
Foi um dos meu primeiros livros.

Guardo com carinho a recordação da adolescência, ainda em dúvidas, com o coração acelerado.

Adoro seus posts.

Fiquei triste em saber que Del Martin morreu =/


De Anatólia a 8 de Setembro de 2008 às 02:28
Oi Estrela, passei pra dizer q sempre q posso te visito e atualizo-me, tô sempre descobrindo coisas, isso é ótimo. Adoro aprender, saber, colher e semear. Puxa fiquei tristim com a informação da cara q morreu depois de casar com sua companheira, a ativista... nossa que notícia triste e a tempo, ....eu não sabia.
Então, obrigado por me visitar nas férias (visitar o blogui), bem, meu tempo é meio curto, mas sempre q posso tô ai. Faça mts estrelas, eu as vejo brilhar. bjs no coração.


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