Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2007

Brigitte Bardot, a artista francesa mais popular de todos os tempos, foi tema de vários ensaios e artigos de filósofos como Jean Cocteau, Simone de Beauvoir e Margarite Duras que a consideravam um fenômeno sociológico. Até Picasso desejou retratá-la. Em 1973, no auge do sucesso, abandonou a carreira e dedicou-se à causa dos animais. Em 1992, surpreendeu a opinião pública mundial ao casar-se, pela quinta vez, com Bernard D’Ormale, político francês com opiniões xenofóbicas e racistas e conselheiro de um outro político de extrema direita, Jean Marie Le Pen.

Longe dos estúdios cinematográficos, a atriz envelheceu de forma amarga. A liberdade de corpo e espírito nos anos 60 definitivamente ficou para trás, e Brigitte voltou a chocar o mundo, dessa vez com declarações conservadoras e pouco ortodoxas. Seu livro 'Um grito no silêncio', publicado em 2003, provocou grande polêmica, mostrou que a militância de direita mudou o estilo da atriz. Brigitte foi acusada de exaltar o preconceito contra negros, homossexuais e imigrantes e se tornou uma vergonha para os franceses, que preferiram se fixar na imagem da jovem loura sexy da década de 1960. Homofóbica, chama os homossexuais de “fenômenos de feira”. Intolerante, considera inútil o pacto civil entre pessoas do mesmo sexo. Retrógrada, esbraveja contra a adoção de crianças por casais gays.

Está morta a Brigitte Bardot leve, despojada e irreverente da sua autobiografia 'Initiales BB' onde conta como lidou, em 1955, durante a filmagem de 'Futures Vedettes', no Hotel Bellman, Paris, com o fato que costuma ser crucial para a maioria dos envolvidos - a primeira experiência homossexual: “Odile estava passando pelas fomes amorosas da adolescência. Havia em seu quarto um eterno vai e vem de belos rapazes e de moças também. Fotógrafos e repórteres do 'Paris Match' se hospedavam ali, perto da redação e prontos a registrar a aventura que se passava. Era muito engraçado, uma calcinha esquecida ou uma cueca abandonada circulavam às vezes de quarto em quarto, para que não servissem de evidência no caso de alguma eventual crise de ciúme. Odile era muito bela, muito impudica, muito natural, muito selvagem. Ela me ensinou a dançar o cha cha cha, tinha 16 anos e eu, 19. Eu a achava maravilhosa porque encarnava tudo que minha educação me impedia de ser verdadeiramente. Eu maldizia meus 3 anos a mais e me achava velha. Ela me achava bela e de tanto ensaiar mais ou menos vestidas, ao som dos ares afro-cubanos, acabamos dançando um cha- cha- cha diferente na cama. Esta foi minha primeira e última experiência do gênero”

(por Thereza Pires)



publicado por star às 15:48 | link do post | comentar

19 de agosto

posts recentes

prince: ícone gay no pass...

recuperado está

o que é: homofobia interi...

j. edgar hoover e clyde t...

trevor project e daniel r...

arquivos

Agosto 2010

Novembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

tags

* cronologia do movimento gay

* retrospectiva 2007

* retrospectiva 2008

a homossexualidade no decorrer da histór

citando

colírio

definindo

depoimentos

direitos e leis

divulgando datas

divulgando eventos

divulgando organizações e ongs

ela e ela

fatos e fotos

feministas

filme e pipoca

homossexuais célebres

livro e abajur

música e sexualidade

musicando estrelas

o que é

poetando

quadrinhos e revistas gays

sombra e luz

sussurros...

vídeos e comerciais

todas as tags

blogs SAPO
subscrever feeds