Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2007

O rock and roll nasceu em meados dos anos 50, num cruzamento entre o blues, o gospel e o soul, ritmos norte-americanos herdados por sua vez da música africana. Já os gays nasceram bem antes, provavelmente desde a época das cavernas. Portanto, nada mais natural do que os gays também estarem no mundo do rock.

Little Richard - O primeiro a dar pinta e chutar o pau da barraca no desde sempre machista universo rocker. Já nos anos 50, Richard se vestia com paletós coloridos, lantejoulas, passava batom e berrava muito no microfone, gemendo clássicos como "Lucille", "Keep a Knocking" e "Tutti Frutti". Uma espécie de versão negra e turbinada do brasileiro Cauby Peixoto. Ao lado de Chuck Berry (hétero), Richard foi um dos principais mestres dos primórdios do rock.

David Bowie - O marciano do rock começou a carreira como um estranho cantor folk sideral, mas no início dos 70 descobriu o filão que o transformaria num astro: declarou-se bissexual e passou a circular trajando vestidos, maquiagem, roupas extravagantes e cobertas de brilho, tornando-se assim o principal artista do chamado glam rock - onde as bandas e cantores esbanjavam glitter, purpurina e maquiagem. O auge foi o álbum "The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars", lançado em 72. Depois dele, Bowie anunciou a morte de seu personagem Ziggy Stardust, e passou a mudar constantemente de fases - virou o camaleão do rock. Hoje é casado com a modelo Iman, mas ninguém jamais esquecerá seu passado pintosa. Toda essa saga foi devidamente registrada no filme "Velvet Goldmine", de Todd Haynes.

Elton John - Um dos grandes compositores do pop, Elton só foi assumir sua homossexualidade (sempre óbvia) nos anos 90, tornando-se um dos ícones de gays do mundo todo. Criou pérolas como "Your Song", "Don't Go Breaking my Heart" e "Candle in the Wind" - esta dedicada à Princesa Diana. É um dos criadores de uma fundação de combate à Aids. No final de 2005, se casou com o namorado David Furnish numa agitada cerimônia em Windsor.

Freddie Mercury - Talvez a diva máxima do gay rock. O que dizer de um vocalista de uma banda chamada ‘Queen’? À frente do grupo, ele criou obras-primas operísticas que marcaram a história do rock, como "Bohemian Rapsody", "We Will Rock You", "Love of my Life" e "Crazy Little Thing Called Love". Um dos grandes triunfos de Freddie foi justamente liderar uma banda venerada basicamente pelo público hétero machista. Com seu bigodão, seus trejeitos e seu estilo de bichona a la Castro Street, Freddie tornou-se adorado mundo afora. Morreu em 1991, vítima da Aids.

Morrissey - O vocalista dos lendários ‘Smiths’ nunca se definiu exatamente como gay, e sim como assexuado. Mas quem se importa? Morrissey marcou com sua postura frágil e sensível, suas letras ultra românticas e homoeróticas. Ao lado dos Smiths, gerou clássicos gays como "The Boy with the Thorn in his Side", "This Charming Man" e "Reel Around the Fountain". Em sua carreira solo, nem sempre alcançou o mesmo brilho. Mas quem se importa? Vale lembrar os shows dos ‘Smiths’, quando o bardo tinha o hábito de carregar ramos de flores nos bolsos das calças, e no fim atirava as pétalas ao público. Hoje ele está meio tia velha. Mas quem se importa?

Boy George - Vocalista do ‘Culture Club’, banda seminal dos anos 80, Boy George sempre foi pintosérrimo. Com suas maquiagens e cabelos esquisitos, ou na fase atual, careca e meio hare krishna gay. Teve um tumultuado romance com Jon Moss, baterista do ‘Culture Club’. Em 2006, foi preso por simular um sequestro e por porte de drogas - episódio que o levou a cumprir pena como lixeiro em Nova York. Mas quem é diva nunca perde a pose.

George Michael - O belo deus grego (literalmente, ele é filho de pai grego) foi um astro dos 80 a bordo da dupla ‘Wham!’, e depois em carreira solo, criando gemas como "Wake me Up Before You Go Go", "Father Figure", "Faith" e aquele que viria a ser um hino gay absoluto: "Freedom 90". Nos 90, aliás, foi descoberto que ele teve um namorado brasileiro - Anselmo Fellepa, morto pela Aids em 93 -, e George acabou preso em 98, por atender um policial disfarçado num banheiro público em Beverly Hills. Deu a volta por cima fazendo a música "Outing", onde debocha da própria história, mas depois voltou a ser detido por diversas razões - drogas, embriaguez, novas aquendações.

Jake Shears - Foi jornalista da revista gay HX, aluno de literatura, dançarino de clube e figura famosa no movimento electro de Nova York, no início dos 2000. Mas o sucesso mundial veio em 2004, liderando a banda ‘Scissor Sisters’, onde divide os vocais com Ana Matronic. A banda é hoje a principal representante gay no cenário pop, com hits como "Take your Mamma" e "I Don't Feel Like Dancing", e a performance de Shears nos palcos é absurda, terminando em geral com um strip quase completo. Recentemente Shears declarou que quer se casar com seu namorado em plena DisneyWorld.

Cazuza - Um dos poucos gays assumidos do rock brasileiro, embora muitas vezes tenha se declarado bissexual e não exatamente gay. Cazuza despontou como vocalista do ‘Barão Vermelho’, no início dos 80, e depois brilhou em carreira solo. Autor de clássicos como "Exagerado", "Faz Parte do meu Show" e "Codinome Beija-Flor". Tornou-se um mártir da Aids ao admitir publicamente que era vítima da síndrome, em 89. Morreu em julho de 90. Hoje Cazuza continua sendo descoberto por novas gerações, e sua obra sentimental e passional é um marco no pop-rock e na música popular brasileira.

Renato Russo - Ao lado de Cazuza, é um dos mais importantes compositores da geração 80. Explodiu como líder da ‘Legião Urbana’, banda influenciada entre outros pelos ‘Smiths’, onde gravou hits que conquistaram o Brasil, muitos deles já homoeróticos, como "Daniel na Cova dos Leões" e "Teorema". Em 90, declarou-se bi com a música "Meninos e Meninas". A partir dali, Renato virou um ícone gay, explicitando isso em sua carreira solo: os álbuns "The Stonewall Celebration Concert", dedicado ao famoso protesto americano, e "Equilíbrio Distante", com músicas italianas. Morreu em 96, vítima da Aids. Desde então, é constantemente lembrado em livros, peças, exposições, shows, coletâneas, e em breve no cinema.

Mas obviamente que tem muito mais: Rufus Wainwright, Antony, Neil Tennant e Chris Lowe (os 'Pet Shop Boys'), Andy Bell e Vince Clarke (o 'Erasure'), Pete Burns (vocalista do 'Dead or Alive'), Mike Patton (ex-vocalista do 'Faith no More'), Marc Almond (vocalista do 'Softcell'), as cantoras Melissa Etheridge, K.D.Lang, Michael Jackson (será? sim), Ricky Wilson, Fred Schneider e Keith Strickland (os rapazes do 'B-52's'), David Lee Roth (ex-'Van Halen'). Sem falar nos bissexuais, que tiveram fases gays: Mick Jagger, Iggy Pop, Lou Reed (todos ex-amantes de Bowie), os caras do 'Kiss', os caras das bandas glam como 'T.Rex', 'New York Dolls' e 'Roxy Music'...E tudo isso porque estamos falando de rock. Se ampliássemos para música eletrônica, música clássica, música popular brasileira...a lista seria interminável.

(fonte: MixBrasil)



publicado por star às 08:08 | link do post | comentar

1 comentário:
De Luiz Lailo a 27 de Dezembro de 2007 às 13:41
Você comparou Little Richard e Cauby Peixoto, só que este último demorou para entregar o ouro. Questionado porque não era visto com mulheres, ele, cândidamente, argumentou que seu caso não era quantidade, e sim qualidade. Grande Cauby!
Elton John é hors concours nessa relação.
Quando fizer uma relação de sambistas gays pode botar o Emílio Santiago na cabeça da lista. Um pedreiro que fez serviços pra mim disse que foi chamado por um colega para trabalhar na casa do cantor. Chegando lá um pouco cedo foram recebidos pelo Emilio, que abriu a porta trajando... baby-doll.


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