Domingo, 15 de Julho de 2007
Emo (abreviação do inglês emotional) é um gênero de música derivado do Hardcore. O termo foi originalmente dado às bandas do cenário punk de Washington, DC que compunham num lirismo mais emotivo que o habitual. No Brasil, o gênero se estabeleceu sob forte influência norte-americana em meados de 2003, na cidade de São Paulo, espalhando-se para outras capitais do Sul e do Sudeste, e influenciou também uma moda de adolescentes caracterizada não somente pela música, mas também pelo comportamento geralmente emotivo e tolerante, e também pelo visual, que consiste em geral em trajes pretos e franjas do cabelo caídas sobre os olhos.

Emofobia - é um termo criado para expressar o ódio, aversão ou a discriminação de uma pessoa contra os emos.


"Emofobia" cresce e agressões a emos invadem YouTube

A emofobia está com mais força do que a própria emomania. É o que mostra a internet, instrumento que alavancou a febre das franjas no mundo jovem. No YouTube, maior site de compartilhamento audiovisual da rede, vídeos antiemos têm centenas de milhares de espectadores e algumas dezenas de produtores. O termo emo vem de emocore, que por sua vez deriva de hardcore melódico, batida forte com letras melancólicas, por exemplo. A expressão deixou de ser restrita ao ritmo musical e virou descrição de comportamento, identificando por exemplo grupos gays. A maioria das sátiras e ofensas à tribo vem dos EUA, mas há pelo menos meia dúzia de representantes brasileiros. Enquanto os vídeos internacionais preferem adotar o formato de clipe ou de desenhos, os jovens brasileiros satirizam o que seria o dia-a-dia de um emo ao mostrá-los sendo agredidos na rua.

Entre os mais "elaborados" estão "The Emo Day" e "A Little Day Of An Emo", que apesar do nome em inglês são feitos por jovens brasileiros. O primeiro já foi visto por mais de 260 mil internautas. A edição do vídeo conta até com tomadas diferenciadas. O sucesso de audiência de "The Emo Day" rendeu até uma homenagem feita por garotos mais jovens. O vídeo segue o mesmo mote, mas é mais curto e recebeu título em português: "Um Dia de Emo" (removido do Youtube). Já "A Little Day Of An Emo" foi publicado com divisão em três blocos, para faciliar a visualização de quase 20 minutos de filme. Todos os vídeos têm em comum as trilhas (bandas como Blink 182, My Chemichal Romance e Yellowcard predominam) e a trajetória do protagonista, que invariavelmente vai apanhar de idosos, punks, "nerds", crianças e argentinos. No espaço de comentários, os internautas comemoram as agressões. "Emo tem é q apanhá msmo!!! Axei foi pouco!!!", incita um deles. Um outro vai além: "Qro avisá q a temporada de caça aos emos começou!!!!" Há ainda filmes menos ambiciosos tecnicamente. Exibem apenas um "emo" sendo agredido, sem necessidade de contextualização. A tribo é retratada sempre pela figura de um jovem afeminado. Esses vídeos costumam durar menos de um minuto. É o caso de "Emorto" (que infelizmente continua no Youtube) e "Porrada no Emo Gay" (banido do Youtube). No mês passado, um vídeo chamado "emo vs. gangsta" foi banido por ser considerado impróprio pelo YouTube.


"Mad" brasileira satiriza emos como "nova categoria de gays"


A versão brasileira da "Mad" (capa ilustrada por Edson "Tako X" Takeuti) dedicou uma edição para satirizar os emos. A revista de humor ácido descreve a tribo como uma "nova categoria de gays" e uma "praga maldita" do século 21. A publicação ensina a virar emo e traz imagens para recortar, como uma franja e gotas de lágrimas. A "Mad" brinca também com o vocabulário dos emos, que costumam incluir a letra "x" nas palavras e adotam grafias erradas. O leitor é convidado a participar do teste "Voxê é um emo?". Um dos resultados diz: "Oiiiiiiii miguxooo voxê é emuuu! Qui linduuu! Palabéns! Podi xolar di aleglia!".


A revista, editada no Brasil pela Mythos, também ridiculariza a maquiagem da tribo (como lápis de olho e unha pintada de preto), o vestuário (como cinto de rebite, camiseta com estampa de um gatinho e tênis All Star riscado) e acessórios (como iPod, máquina fotográfica digital, colar de bolinha, chaveirinho e munhequeira). O Brasil reproduz o fenômeno de ataques aos emos, freqüentes nos EUA e no Reino Unido. Na MTV, o programa "Gordo Freak Show", apresentado por João Gordo, é um exemplo de atração que "desmascara" emos e achincalha a tribo, abrindo espaço para piadas homofóbicas. Troca de acusações entre roqueiros e emos ganhou destaque neste ano, após o vocalista do grupo norte-americano The Killers declarar que gostaria de bater até a morte em todas as bandas de performances "emotivas", um recado para nomes como Fall Out Boy, My Chemical Romance e Panic! At The Disco. Algumas bandas que adotam o chamado "hardcore melódico" evitam ser rotuladas como emos, como se o termo embutisse também a declaração de que seus músicos são homossexuais. Mas não é só a "Mad" e João Gordo que elegem os emos como alvo de suas piadas. A Desciclopédia, paródia do portal Wikipédia, criou um verbete dizendo que o "pai dos emos" é o nazista Adolf Hitler ("essa franjinha nunca me enganou"). No serviço brasileiro de perguntas do Yahoo, há questões como "existe emo que não seja gay?". Em meio a respostas recheadas de preconceito, é possível encontrar uma voz discordante: "Há emos que defendem a homossexualidade, mas nem por isso são gays. O nome do que você está fazendo agora é discriminação", protesta um participante.

(fonte: Folha Online)


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publicado por star às 07:25 | link do post | comentar

1 comentário:
De Anónimo a 13 de Maio de 2009 às 01:25
Absolutamente perfeito o seu pensamento, meus parabéns!
Para mim a verdade é que existem duas grandes tribos no mundo. A dos bem resolvidos, que fazem coisas legais, que se preocupam com o intelecto e com o mundo que vive. E a dos que não sabem porque estão nesse mundo, só fazem besteira, descriminam tudo que não os covem diretamente e pensam estar no topo da sociedade, para esse grupo prefiro nem pôr um nome!


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