Terça-feira, 4 de Dezembro de 2007

O que não é visto, não existe, não é visível. Se a comunidade glbtt não é reconhecida num mundo hétero, ela está invisível, inexistente, donde se conclui que, se formos observar por esse lado, os glbtt estão livres de pagar impostos, taxas, contas de luz e muitas outras contas. Pois é. Mas não funciona assim, quando se trata de cumprirmos com os nossos deveres de cidadãs e cidadãos. Já quando é o caso de termos reconhecidos nossos direitos, estes nos são negados, pois os direitos pertencem aos héteros, portanto, aí não somos cidadãos. Então, temos uma situação de conveniência.

A deputada estadual Eulina Rabelo, PFL-PA, teve impugnada a candidatura à prefeitura de Viseu, Pará, porque ela vive uma relação de nove anos com outra mulher; no caso, a prefeita local. Segundo nossa lei, não é permitido que um cônjuge se candidate ao cargo do outro. Noutras palavras, a lei reconheceu que existe uma união no formato de casamento. A Constituição não reconhece união estável entre pessoas do mesmo sexo, quando o assunto é de direito, mas reconhece para os deveres.

Não posso me queixar de invisibilidade. No prédio em que moro, meu vizinho adolescente, em vingança contra minhas reclamações dele ao síndico, divertia-se em me chamar de lésbica, todas as noites em que eu voltava do trabalho. Pelo menos, ele me reconheceu enquanto lésbica, em vez de "sapatão", como é comum. Lembrei da Vange Leonel, quando escreveu em sua coluna no jornal que ninguém a ofenderia, se a chamassem de lésbica. Vange Leonel sente orgulho, isso sim, pela origem do termo, vindo lá da Grécia Antiga, da Ilha de Lesbos.

No meu caso, o vizinho hétero me ofendia não por me chamar de lésbica, mas pelo motivo de dar-se o direito de mexer comigo, seja de que jeito for, invadir meu espaço, faltar com o respeito. Ele pensava que eu iria negar minha sexualidade, dar-lhe explicações, ter vergonha, medo. Fui até ele e o enfrentei, na base da conversa, sobre discriminação, punição, pra criatura entender de vez que não lhe devo nada e nem tem nada a ver com minha vida.

Eu existo quando o zelador me entrega no final do mês o boleto pra pagar o condomínio. Não existo quando tento incluir minha parceira, a mulher que vive comigo há 14 anos, no item "dependentes", do formulário do SESC, pra tirar a carteira de comerciária. Se temos os mesmos deveres que os héteros, por que não teríamos os mesmos direitos?

(por Emily Cardoso – ativista lésbica)


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