Domingo, 20 de Abril de 2008

De Wu Tsao, pouco se sabe. E Emily Dickinson viveu reclusa por tanto tempo que são poucos os fatos de sua vida. As duas nasceram em 1830, embora haja dúvidas em relação ao ano exato no caso de Tsao. Dickinson, americana de Massachussets, era filha de um advogado e Wu Tsao, chinesa, filha de um mercador. Dickinson teve acesso à educação formal e ao estudo, coisa não muito comum mesmo entre as meninas bem nascidas da Nova Inglaterra, como ela. Wu Tsao casou-se com um homem que era, como seu pai, um mercador.

Dickinson, com talento e intelecto para sobressair-se em seu próprio tempo e em seu próprio meio, resolveu, aos vinte e poucos, não sair mais de casa. Wu Tsao, educada para ser esposa servil, abandonou o marido e foi escrever poemas para as cortesãs por quem se apaixonava. Dickinson também escrevia, e em profusão, mas publicou apenas sete poemas durante toda sua vida. Seus 1700 poemas restantes foram publicados após sua morte. Wu Tsao foi tremendamente popular na China em sua própria época. Dickinson viveu reclusa a vida toda, e talvez por isso tenha se apaixonado somente por sua cunhada, para quem escrevia cartas fervorosas, que foram depois censuradas por sua sobrinha. Wu Tsao ao final da vida escolheu viver, como Dickinson, em reclusão - mas como sacerdotisa taoísta.

As duas escreveram sobre muita coisa, mas principalmente sobre o amor. Poemas de amor escritos por duas mulheres em pólos opostos do mundo.


Emily Dickinson

love - VII
Escondo-me em minha flor
Flor que vestes no peito
Tu, não sabes, veste-me junto
E os anjos o sabem, suspeito
Escondo-me em minha flor
Flor que murcha em teu vaso
Tu, não suspeitas, sentes por mim
Uma solidão, quase

love - XXV
Noites de Fúria! Noites de Fúria!
Estivesse contigo
Noites de Fúria seriam
A nossa luxúria
Inúteis os ventos
Para um coração atracado
Não mais bússola
Nem mapa traçado
Remando no Éden
Ah, o mar!
Pudesse esta noite
Em ti me ancorar





Wu Tsao

Para a Cortesã Ch'ing Lin
Em seu corpo esguio
seus colares de jade e coral soavam
como acompanhamento celestial
vindo da Verde Cidade-Jade do Céu.
Um sorriso seu quando nos vimos,
e fiquei muda e não lembrei palavra.
Por muito tempo você apanhou flores,
e debruçou-se no bambual,
as mangas de sua camisa ficando frias
em seu vale desértico:
eu posso ver você sozinha,
uma garota acalentando pensamentos enigmáticos.
Você brilha como lamparina perfumada
onde as sombras se acumulam.
Nós brincamos folguedos de vinho
e recitamos poemas, uma para a outra.
Então você canta `ao Sul do Rio com Saudades´
com seus versos de partir o coração. Depois
pintamos nossas lindas sobrancelhas.
Eu quero possuí-la completamente -
seu corpo de jade
e seu coração prometido.
É primavera.
Uma vasta neblina cobre os Cinco Lagos.
Minha querida, deixe-me comprar um barco vermelho
e leva-la comigo para longe.


(texto e tradução dos poemas por Vange Leonel)



publicado por star às 16:44 | link do post | comentar

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