Sábado, 30 de Maio de 2009

A revista ‘Época’ fez uma entrevista com Edith Modesto, 71 anos, fundadora da ONG Grupo de Pais de Homossexuais. Na entrevista, ela conta que, apesar das conquistas da militância GLBT, quando o tema da diversidade sexual surge entre quatro paredes, a situação é mais difícil.

edith macedoHá quinze anos, a filósofa e professora da USP a paulista Edith Modesto descobriu que um de seus sete filhos era gay. Entrou em desespero e começou a se informar sobre homossexualidade. Nesse processo de aceitação, Edith percebeu a dificuldade dos pais em aceitar ter um filho homossexual. Resolveu, então, criar uma ONG, o ‘Grupo de Pais de Homossexuais’, que atende homens e mulheres que sofrem e têm dúvidas em relação à homossexualidade de seus filhos - um trabalho único no Brasil.

Apesar dos avanços sociais no tema diversidade sexual, quando o assunto entra nos lares, tudo muda de figura: as mães negam, têm culpa, ficam perdidas. Mulheres que durante a vida tiveram amigos íntimos homossexuais e um dia, ao se deparar com um filho gay, enlouquecem, não aceitam. Adoecem e algumas até pensam em suicídio. Não entendem. Homossexuais são vistos nas novelas, o assunto diversidade sexual não é mais um tabu, mas dentro de casa tudo muda. Dentro de casa avançou menos. O preconceito está enraizado em todos nós, de alguma forma. Homossexuais ainda são expulsos de casa, e aqueles pais que mantêm o filho em casa, não aceitam a sua homossexualidade.

edith macedo e o filho marceloPais e mães reagem de forma diferente. A mulher é mais afetiva, mais compreensiva. Os homens são mais frios, mais machistas - embora as mulheres também sejam. Quando se sabe que um filho é homossexual, a reação de ambos é ruim. Porém os homens tendem a atitudes mais agressivas ou se isolam do problema, enquanto que as mulheres enfrentam a questão que mais se aproxima de uma aceitação. Para os pais é mais difícil ter um filho gay do que uma filha lésbica. O pai quer que o filho seja seu espelho, quer a continuidade da linhagem. Se a filha é lésbica, para os pais é mais 'disfarçável', já que ela pode ter amigas, demonstrar afeto, dormir juntas. Se o rapaz pega na mão do amigo, o mundo cai.

Os pais dos homossexuais passam por fases quando descobrem a homossexualidade de seus filhos. Todas as pessoas do mundo foram criadas e se prepararam para ter filhos heterossexuais. Ninguém foi preparado para ter filho gay. Então, a fase da descoberta é cercada, para a grande maioria, de culpa e negação. Muitos acreditam que se trata de algum problema psicológico, de uma fase de experimentação ou mesmo de safadeza. Tentam mostrar ao filho que existe um caminho melhor, o que aumenta o sofrimento para todos. Outros entram logo na fase de tentar saber tudo sobre gays e lésbicas. Querem entender. Entender para tentar aceitar. Passam a ler tudo. Principalmente as mães por serem ainda levadas pela vertente da psicologia que diz que a culpa é sempre da mãe.

Autora dos livros ‘Vidas em Arco-Íris’ e ‘Mãe Sempre Sabe?’, na ONG ‘Grupo de Pais de Homossexuais’ que criou Edith já foi até procurada por uma psicanalista especialista em sexualidade ao descobrir que a filha é lésbica. Em outro caso, a diretora de uma escola a procurou, contando que um menino de 13 anos estava apanhando na escola e em casa, por mostrar traços de homossexualidade. Até mães evangélicas, que acreditavam que o filho estivesse com o diabo no corpo, também foram acalmadas.

O trabalho da ONG é baseado na solidariedade, não se julga e nem se faz militância. São as mães que mais procuram a ONG, pais são mais raros. Não é fácil ser diferente. Não é fácil ver um filho sofrer por ser homossexual. (fonte: revista Época - entrevista de edith macedo concedida à jornalista martha mendonça)



Temas relacionados:
GPH - Grupo de Pais de Homossexuais


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publicado por star às 11:30 | link do post | comentar

5 comentários:
De ¿ llola a 30 de Maio de 2009 às 20:45
minha mãe precisa desse livro e mara que bom que tocou no assunto tenho algo pra vc la no meu blog graças a vc que ele possue essa criatividade, ne um comentario seu vc me deu a luz xeros xeros e um otimo domingo!!


De ɐlıɯɐɔ a 31 de Maio de 2009 às 17:33
não há nada de mais em ser gay, li o post anterior, até alguns tempos atrás minha namorada insistia em dizer que eu era bi, somente pelo fato de eu não me rotular cm lésbica até pq, acho totalmente desnecessário esses rótulos, porém quando afirmei isso a ela, ela enfim se rendeu e me pediu em namoro pela enésima vez, adoooro.. ñ o fato mas a companhia e o tratos, que fique claro, alguns ainda ñ aprovo. bjks linda, sinta-se a vontade assim mesmo, faço de conta que akilo ali é um tapete bem felpudo e anti alérgico, o que é bem mais confortavel que um sofá.. aconchegue-se..


De Mariposo-L a 2 de Junho de 2009 às 18:25
Muito legal isso , leio em blog's por ai que isso é realmente uma barra, por outro lado ( pés no chão ) os filhos não conquistam sua liberdade ou seja vivem as custas de pais e mães e querem um aceitação facil , alem do choque cultural filhosX pais ...

Para mim essa situação foi a que menos pesou .. aceitaram de boa :)

Um abraço....


De Mariposo-L a 2 de Junho de 2009 às 18:27
vou recomendar esse post para um amigo que está com problemas em casa :)


De Arsênico a 2 de Junho de 2009 às 19:21
Nossa... preciso comprar esses livros pra minha mãe ler... desde que me assumi gay em casa... não somos a mesma família de antes...

***


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