Sexta-feira, 14.08.09
j. edgard hoover e clyde tolson

São plausíveis os rumores de que John Edgar Hoover, o poderoso chefão do FBI desde 1924 até sua morte em 1972, era mulato e racista, gay e homofóbico. Ele e seu homem de confiança, Clyde Tolson, foram constantes companheiros durante mais de 40 anos, mesmo nas férias ficavam juntos, e ambos permaneceram solteiros até a morte. Muitas pessoas sentiam que a relação que existia entre Hoover e Tolson, era mais que uma amizade, os dois nunca viveram juntos, mas eles estão enterrados lado a lado no cemitério do Congresso em Washington. A história, primeiramente, apareceu na biografia feita pelo jornalista britânico Anthony Summers.

O jornalista baseou-se na informação de Susan Rosenstiel, quarta esposa de Lewis Rosenstiel, presidente da ‘Schenley Industries’. No FBI o casal era conhecido como ‘J. Edna and Mother Tolson’. No entanto, homossexuais famosos da época como Truman Capote, referiam-se a eles como ‘Johnny and Clyde’. Quando J. Edgar Hoover morreu em maio de 1972, deixou quase toda a sua herança para seu companheiro de longa data e Tolson também assumiu o controlo de seus arquivos secretos. Tolson quando foi aposentado do FBI e de acordo com seus amigos, as únicas vezes que saía de casa era para visitar o túmulo de Hoover.


A história toda é contada pela jornalista Thereza Pires

j. edgard hooverRacista dos mais violentos, perseguidor de comunistas ou simpatizantes, torturador de jornalistas, editores e militantes dos direitos civis, o abominável chamava-se John Edgard Hoover. Teria nascido em 1º de janeiro de 1895, filho de gente da classe média - existem controvérsias - e falecido, de verdade, em 2 de maio de 1972. Seu avô, pai, sobrinho e irmão trabalharam para o governo. Mas ninguém na família - e no serviço público norte-americano - até hoje teve tanta importância. Chefiou com mão de ferro, durante 48 anos, o FBI. No governo do Presidente John Calvin Coolidge, sabe-se lá por que razão obteve o cargo vitalício.

Serviu a oito presidentes (de Coolidge a Richard Nixon), sendo mais poderoso que todos eles e confidente de muitos. Criou uma polícia paralela que usava meios ilegais para vigiar não só criminosos, mas todos aqueles que sua paranóia identificava como ‘inimigos do sistema’. Foi o idealizador do ‘National Crime Laboratory’ e do ‘National FBI’, ainda hoje o melhor curso de pós-graduação policial do mundo.

Especializado em dissolver movimentos de liberação dos homossexuais, manteve durante 40 anos uma relação estável com seu vice no organograma: Clyde Anderson Tolson. Rumores contam que o mafioso Meyer Lansky para calar a boca do FBI a respeito das suas atividades criminosas, usou fotos que comprovavam a homossexualidade de Hoover, ele e Clyde fazendo sexo em uma praia. E, tudo indica que o racista também era afro-americano. A publicação de um livro de autoria de uma descendente de escravos do Mississipi reabriu a questão.

O livro do jornalista Anthony Summers, ‘Official and Confidential’, contém uma entrevista com Gore Vidal onde o escritor declara que Hoover ia ficando famoso e todo mundo em Washington sabia que ele era mulato e de uma família que vinha clareando através das gerações e dos casamentos mistos. Wesley Swearingen, um agente especial reformado do FBI é autor de ‘Secrets: An Agent's Exposé’ e conta que, apesar de exigir de todos os ‘G Men’ uma espécie de atestado de raça branca, Hoover, misteriosamente, nunca ofereceu um documento melhor do que a certidão de nascimento tirada aos 43 anos, após a morte da mãe, óbvia testemunha. Millie McGhee em seu livro ‘Secrets Uncovered’, reeditado como ‘Secrets Uncovered: J. Edgar Hoover - Passing for White?’ afirma que as raízes de J Edgar vinham de Maryland, da união de uma escrava tão clara que podia se passar por branca e seu senhor.

A Operação Fruehmenschen

Em janeiro de 1988, o deputado Mervyn Dymally inseriu nos anais do Congresso Americano uma declaração juramentada do ex-agente Hirsch Friedman sobre a ‘Operação Fruehmenschen’ (em alemão, frueh = primitivos e menschen = seres humanos). Palavras do agente Friedman: O objetivo desta polícia paralela era investigar as causas da promoção de oficiais e eleição de candidatos negros nas maiores cidades. Cerca de 300 ‘seres humanos primitivos’ foram investigados. Hoover não acreditava que negros tivessem capacitação social ou intelectual para dirigir instituições ou participar de organizações governamentais.

Tornou-se famoso e temido pelas perseguições contra membros do Partido Comunista. Nos anos 50, mergulhou de cabeça no Macartismo ou a ‘Era do Pânico Vermelho’, um movimento conservador e anti-comunista ocorrido nos Estados Unidos entre 1950 a 1954 liderado pelo senador Joseph McCarthy e seus adeptos. Hoover usou e abusou da delação e da intimidação e se dedicou a infernizar a vida de comunistas e simpatizantes, causando suicídios, provocando exílios voluntários e encerrando carreiras promissoras nas artes e no cinema.

A obsessão do chefão do FBI era centrada ‘no espectro do casamento interracial’, nas escolas mistas, nos menos de 1% de agentes negros do FBI e, sobretudo, na figura carismática de Martin Luther King. Uma campanha infamante foi deflagrada para destruir o líder, usando chantagem e sugerindo que o suicídio do religioso seria a melhor saída quando certas fitas comprometedoras fossem liberadas. Em 4 de abril de 1968, dia do assassinato de Luther King, foram ouvidos gritos ‘jubilosos’ no quartel general do FBI em Atlanta.

Enquanto perseguia comunistas, simpatizantes e negros, liderou uma campanha homofóbica, com ênfase na destruição da ‘Mattachine Society’, uma das primeiras organizações pelos direitos dos gays, sediada em San Francisco, com infiltração de agentes e uso de fotos, filmagens e gravações. Tudo isso, provavelmente, com a finalidade de esconder a própria homossexualidade, avalizada em 1943 por um memorando interno da autarquia da qual era o chefe.

clyde tolsonElegantíssimo, conhecido pelos impecáveis ternos brancos, J. Edgar Hoover colecionava antigüidades e viveu com a mãe até os 42 anos. Jamais foi visto na companhia de uma mulher. Sua roda era composta só de homens e teve uma relação de 40 anos com o belo Clyde Tolson, o segundo na hierarquia do FBI. Hoover e Tolson viajavam juntos, tomavam café da manhã juntos, trabalhavam juntos, saíam juntos, se divertiam juntos, almoçavam e jantavam juntos e eram descritos pelos próximos como um verdadeiro casal.

Clyde Tolson nasceu no Missouri, em 1900. Quando obteve a licenciatura em Direito pediu para aderir ao 'Federal Bureau of Investigation' (FBI), mas foi rejeitado. Ele tentou novamente no ano seguinte e desta vez a sua foto e formulário de candidatura foram vistos por J. Edgar Hoover e imediatamente Tolson foi contratado e rapidamente promovido, e após três anos, foi nomeado diretor adjunto do FBI. Tolson Clyde, ‘alter ego e alma gêmea’ de Hoover, o substituiu na chefia do FBI a partir de 1972, quando um super infarto do miocárdio matou o seu companheiro. Mas, foi substituído, no dia seguinte, por Louis Patrick Gray e deixou o FBI duas semanas depois, quando se mudou para a casa de Hoover e se dedicou a cuidar do inventário e espólio do qual era o único herdeiro. Clyde morreu em 1975 e os dois estão enterrados no mesmo túmulo. Que as Montanhas Rochosas lhes sejam leves.



publicado por star às 09:32 | link do post | comentar | ver comentários (3)

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